
ESTUDO
Por Marcelo Algauer de Almeida - COXAnautas
O calendário anual do futebol brasileiro é extenso e muito desgastante, com o agravante da forma de disputa em pontos corridos, que favorece os clubes com maior receita.
O Coritiba completa seu dia 300 no calendário do ano de 2008, iniciado em 10/01 pela disputa do campeonato paranaense. Foram 62 jogos somando Estadual, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro, é praticamente um jogo a cada 5 dias.
O Estadual é curto, o período de preparação é pequeno, o último jogo em 2007 foi dia 24/11, somando-se férias dos atletas, contratações e folgas de final de ano, o grupo não teve mais que 15 dias de período preparatório, enfrentando clubes que já treinavam desde de novembro, pois não possuíam calendário para o segundo semestre. A competição é enxuta e todo jogo é uma final de campeonato, o grupo vai sendo montado durante a disputa dessa competição que terminou dia 04/05.
O Campeonato Brasileiro se inicia exatamente uma semana depois do fim das competições estaduais, impedindo qualquer acerto ou período regenerativo aos atletas. A competição em formato de pontos corridos transforma cada jogo na partida mais importante do ano, são 20 clubes e 4 são rebaixados. A carga fisiológica ao atleta é intensa, somando a fatores emocionais e cobrança por parte de diretoria, comissão técnica e torcida, é uma verdadeira guerra.
O formato atual, favorece as equipes com maior poder econômico, pois os melhores colocados não são aqueles que possuem melhores elencos, mas sim aqueles que possuem grupos qualificados e pelo menos dois atletas do mesmo nível para cada posição e um terceiro com pelo menos 75% da capacidade dos titulares. O formato atual, não permite que um atleta esteja em ótimas condições fisiológicas e técnicas durante todo o período competitivo, mas sim bons níveis com grande risco de redução drástica pelo desgaste causando pelo grande número de jogos, treinos e viagens. A equipe que possui um grande elenco tem o privilégio de “poupar” alguns atletas quando demonstram indícios de fadiga crônica.
No passado, a pré-temporada, também chamada de período preparatório, era fundamental no calendário anual, fundamentada na teoria do russo Matveiev, que determina que uma boa preparação é fundamental para um período competitivo de sucesso. No atual formato, isso se tornou impossível e a teoria do alemão Tschiene passou a ser utilizada, pois sua fundamentação era baseada em curvas ondulatórias, aonde o atleta pudesse competir o ano todo em boas condições e não ótimas, mas sempre priorizando a competição mais importante. Infelizmente, não podemos escolher qual competição vencer, então submete-se o atleta a condições extremas, comprovando que terá sucesso aquela equipe que possuir uma suplência de maior qualidade, pois além da queda de performance some-se as lesões e punições por cartões.
O calendário precisa ser revisto, as equipes necessitam de um tempo maior de preparação, para que não atingirem o momento mais crítico do ano em condições de desgaste e estagnação.
Marcelo Algauer de Almeida é colaborador COXAnauta, licenciado em Educação Física e especialista em Fisiologia do Exercício.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)