
Máquina do tempo
O ano de 1999 é emblemático na história do Coritiba. Ficou marcado pelo título que encerrou o período mais longo sem a conquista de um estadual, desde 1927. Tínhamos grandes jogadores, mas não éramos favoritos. Mesmo assim, conquistamos aquele suado título, passando pelos dois maiores rivais, sob a batuta de Abel Braga. Foi de lavar a alma do sofrido torcedor coxa-branca.
Nesse contexto de confiança e alegria, iniciamos muito bem o campeonato brasileiro, com duas vitórias convincentes sobre Vitória e Internacional. Infelizmente, na sequência, não vencemos mais, alternando empates e derrotas, o que culminou com a demissão de Abel. Muitos torcedores ficaram contrariados, pois reconheciam a competência do nosso comandante, apesar dos maus resultados.
Felizmente, com a chegada de Márcio Araújo, o Coritiba reagiu e engatou uma sequência invicta de 9 jogos, que perdurou até a última rodada da fase de classificação, quando perdemos por 3x2 para o Corinthians, que viria a ser o campeão daquela competição. Em casa, foram cinco vitórias e um empate, com o Juventude, que infelizmente, nos tirou da segunda fase.
Mesmo assim, quem viveu aquele período, tem excelentes memórias de várias partidas daquele campeonato. Talvez a mais lembrada seja a vitória de 3x1 sobre o Vasco, campeão dos Brasileiros de 1997 e 2000, da Libertadores de 1998 e da Copa Mercosul de 2000. E para completar, no dia da comemoração dos 90 anos, que se efetivaria três dias depois.
Antes de se iniciar a partida, ocorreram várias homenagens a grandes figuras que passaram pelo clube, como Bequinha, Jairo, Krüger, Nico, André, entre muitos outros tão importantes quanto, incluindo um desfile em carros antigos ao redor do gramado.
O clima de festa continuou para os mais de 30 mil torcedores, com o início da partida e o gol de ombro de João Santos, logo aos sete minutos da etapa inicial. O Vasco empatou aos 26 minutos, com Edmundo, em um belo gol, no qual demonstrou toda sua categoria. Mas nós também tínhamos um craque. Aos três minutos do segundo tempo, Cleber Arado mandou uma daquelas pancadas que costumava desferir contra as metas adversárias, e desempatou num golaço, fazendo explodir a massa alviverde. Já nos descontos, em um contra-ataque rápido, Jackson fechou a conta, com outro bonito gol.
Foi uma festa digna dos noventa anos do glorioso Coritiba Foot Ball Club. Uma dupla comemoração com um grande presente para a torcida.
Ficha técnica:
09 de outubro de 1999 - Coritiba 3x1 Vasco
Estádio Major Antônio Couto Pereira
Coritiba: Gilberto, Reginaldo Araújo, Leonardo, Flávio, Dutra, Ataliba, Luís Carlos Guarnieri, Darci, João Santos (Reginaldo Nascimento), Luiz Carlos Matos (Sinval), Cleber Arado (Jackson). Técnico: Márcio Araújo
Vasco: Carlos Germano, Paulo César, Géder (Henrique), Odvan, Alex Oliveira, Amaral (Fabrício Carvalho), Fabiano Eller, Paulo Miranda (Viola), Ramón, Edmundo e Donizete. Técnico: Antônio Lopes
Árbitro: Antônio Pereira da Silva
Gols: João Santos (CFC) 7/1, Edmundo (VAS) 26/1, Cleber Arado (CFC) 3/2 e Jackson (CFC) 47/2.
Público pagante: 30.728 pessoas. Público total: 32.417 pessoas.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)