
OPINIÃO
Atendendo a um convite dos administradores do site, o jornalista Rodrigo Wernek, que reside em Brasília, comenta sobre o jogo de sábado, no Distrito Federal, onde o Coxa encara o Jacaré.
Um jogo para mudar o retrospecto do Coxa em Brasília
Jogar em Brasília não traz boas lembranças ao torcedor Coxa. Em 2002, o Verdão deixou de passar para a fase final do Brasileiro depois de perder para o rebaixado Gama na última rodada por 4 a 0. No ano passado, a ida à capital conseguiu ser ainda mais dolorosa: empate por 1 a 1 com o rebaixado Brasiliense e o time cambaleante de Márcio Araújo mostrou que não teria forças para escapar da degola.
Por essas e outras (vide o empate com o Brasiliense no Couto no aniversário de 10 anos do título de 85), é bom ter muito respeito pelo adversário de sábado. O Cori pode, e acho que vai vencer, mas não esperem moleza. O gramado do Serejão é péssimo e o técnico deles, Lula Pereira, está a um passo da degola.
O "Jacaré" não vence há seis partidas (três da Segundona, duas pela Copa do Brasil e uma do Estadual) e ocupa a zona de rebaixamento para a Terceirona. Para chegar a este ponto, claro que o Brasiliense é fraco, e o torcedor Coxa sabe o porquê. A grande contratação da temporada é Renaldo, ele mesmo. Aos 37 anos e sem jogar há cinco meses (desde a nossa vitória contra o Inter-RS), o baiano ruim de bola vai ficar no banco porque está fora de forma. Outra bomba do elenco é Ludemar, mas este, infelizmente, nem na reserva tem ficado.
Em meio a esse deserto de talentos, o destaque do Brasiliense é o esforçado meia Iranildo, aquele mesmo que surgiu no Botafogo no longínquo Brasileiro de 95. A boa notícia da semana é que o artilheiro da equipe no ano, o atacante Joãozinho, com nove gols, foi dispensado por Lula Pereira sob a acusação de corpo mole. Segundo a imprensa local, aliás, o técnico teria pedido a cabeça de quatro titulares depois da derrota para o América-RN na última rodada (2 a 1, em Natal), mas só conseguiu duas.
Fora de campo, a vantagem do Cori é enfrentar um adversário sem torcida e de uma região sem tradição na bola. Quarenta e cinco anos depois da construção de Brasília, o amadorismo ainda prevalece no futebol da capital. Até pouco tempo atrás o senador cassado e cartola Luiz Estevão pagava lanche e transporte aos torcedores do Brasiliense para encher o estádio.
No maior rival, o Gama, um dirigente admitiu a jornalistas que, se uma mala preta viesse do Alto da Glória, a sorte do Coxa teria mudado no Brasileiro de 2002. Ou seja, pagando bem, o Cori teria avançado às quartas-de-finais.
Nas arquibancadas, os torcedores dos times do Distrito Federal são exceção. Na verdade, todo mundo torce de fato por equipes de fora (Flamengo, Corinthians etc). No Campeonato Brasiliense, as médias de público são baixíssimas e nem a final, com o clássico Brasiliense x Gama, foi capaz de ter mais de 2 mil pagantes. A volta olímpica do "Jacaré" mais parecia um velório...
Parece brincadeira, mas o campeão de público do Candangão 2006 foi um time de Goiás, o Luziânia, uma cidade próxima a Brasília cujo time é federado no Distrito Federal. Por isso, o torcedor Coxa que pretende ir a Taguatinga no sábado não deve temer hostilidades. É provável, inclusive, que o jogo tenha a cara de uma partida com portões fechados. Ou, então, os Coxas-Brancas podem ser maioria no estádio, mesmo a 1.500 quilômetros de Curitiba. Só depende da nossa mobilização.
Os três pontos estão na mão, Coxa!
Rodrigo Werneck, 25, jornalista residente em Brasilia (DF), Coxa de Norte a Sul. Rodrigo é Coxa-Branca de coração.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)