
Análise de quem entende
Meus amigos Coxas-Brancas, cheguei ontem no Couto num calor de rachar mamona. Direto pro bar pra refrescar o corpinho sarado que mantenho, sabe deus como. A piazada do COXAnautas dando aquele recado pra torcida do Verdão. Calor e cerveja, combinação perfeita. Mas, confesso, parei com a gelada, fui pro refri, senão não ia conseguir nem entrar no estádio. Lá dentro, numa sombra, sentado e fazendo barulho. Jogo parelho, e os caras abrem o placar num frangaço do Muralha, daqueles que não têm a menor explicação. Fiquei cabreiro, mas logo em seguida vem o empate, Castan, de puxeta. O zagueirão gosta mesmo de fazer gols, que continue assim. Em seguida balaço no travessão do Verdão. E foi assim o jogo, até que Muralha num chutão achou Igor Paixão na frente. O menino, que se agiganta a cada partida, ganhou pelo alto na disputa com o goleiro e toca pra Andrey matar a bola, escolher o canto e virar a partida.
O segundo tempo foi mais morno, a rapaziada sentiu o calor, e o Coxa parece ter tirado o pé, talvez até mesmo já pensando na viagem para o jogo da Copa do Brasil. Como os caras da frente pareciam ter sossegado o facho, Henrique apareceu sozinho numa cobrança de escanteio e decretou o placar final. 3 a 1, mas poderia ter sido mais. Agora se foi o tempo de dar oportunidade a todos. Mais de trinta foram testados e o vestibular da bola somente no ano que vem. Daqui pra frente não tem mais jogo que não vale nada. Quem não agarrou a oportunidade que trabalhe mais. Com algumas peças que venham para melhorar o elenco, a temporada promete ser menos sofrida do que as anteriores. Mas sem esperar grandes conquistas, infelizmente isso ainda pode levar bem mais tempo. Vamos às notas.
Muralha – 3,0: Quem defendia o guapo parou. Ele que responda por si. Ontem deu mostras que não podemos confiar no nosso goleiro. É muito provável que a diretoria vá atrás de um titular, mas que não venham com alguém só para agradar à torcida.
Val – 4,0: Vai ter que fazer cursinho de novo. Não vem agradando há tempos. Que não repita a história do tal Galdezani.
Guillermo – 5,0: Entrou só pra cobrir buraco, como opção do técnico. Ali não é o lugar dele, na zaga é muito voluntarioso e gosta de liderar.
Henrique – 6,0: Outro que tem gostado de fazer gols. Ontem foi tranquilo. É um dos grandes nomes da equipe, resta saber se aguenta o tranco de tantos jogos em um calendário mais enxuto.
Luciano Castán – 6,5: Nome para guardar. Já começa a lembrar os grandes zagueiros artilheiros que tivemos, resta saber se vai dar conta do recado na Série A. Aposto minhas fichas que sim.
Egídio – 5,0: Pouco fez. Aquilo que tem de melhor, um baita cruzamento, não apareceu ontem. Como o professor vai resolver a deficiência que todos sabemos ele ter é que são elas.
Willian Farias – 6,0: Discreto e cumpridor de sua função. Daqui pra frente vai ter que se acertar melhor com Andrey para não deixar chutarem tanto, como os caras do Maringá fizeram ontem.
Gustavo Bochecha – 2,0: Ele me lembra os caras do “cinquentinha” da suburbana, sinceramente. Esse não gabaritou, e não sei se fazer o cursinho de novo resolve. Foi uma novela pra vir, mas o final tá sendo horrível.
Andrey – 8,0: Uma baita contratação. Precisa só manter o ritmo na partida, às vezes aparece muito, noutras fica um pouco escondido. Outra aposta minha de sucesso pro resto da temporada.
Thonny Anderson – 4,0: Começou alguns jogos muito bem. Caiu de rendimento. Tá sendo fominha, precisa ser mais coletivo, ainda assim me parece que pode render muito mais para o time.
Warley – 5,0: O cara entra pilhado, na mesma rotação que Igor Paixão. Não tenho medo em afirmar que se alguém cochilar, ele toma o cachimbo.
Igor Paixão – 8,5: O craque do campeonato até aqui. Quatro gols e quatro assistências são a prova disso. O Piá do Couto tá em todo lugar do campo. Corre muito, chama o jogo, assiste aos companheiros. Se mantiver esse rendimento na Série A, ano que vem não joga mais pelo Verdão.
Biel – 5,0: Pelo menos entrou com mais disposição. Até arriscou um chute. Bastante contestado, mas é Piá do Couto. Não sei se terá muitas outras oportunidades a partir de agora. Talvez emprestar seja a melhor solução.
Alef Manga – 6,0: Não pode perder aquele gol que ele perdeu. Senti que caiu um pouco de produção nas últimas partidas. A competição no setor promete ser acirrada, se não se cuidar, vai pro banco.
Leo Gamalho – 5,0: É o homem-gol, mas pode querer ser ainda mais. O segundo gol surgiu de uma cabeçada sua, defendida milagrosamente pelo goleiro. Muitos dizem não ser centroavante de Série A. Mas quantas vezes ele jogou esse campeonato?
Clayton – 4,5: É o cara que espera a bola lá na frente, não volta muito, nem para ajudar um pouco na marcação, nem para buscar a bola. Achando o jeito de jogar e tendo sequência, pode ser uma boa surpresa.
Morínigo: Deu chance pra quase todo mundo, seguiu o planejamento e não contava com alguns percalços. Vem tentando, à sua maneira, implantar diferentes modelos de jogo. E até aqui cumpriu o prometido. Vaga para a Série A e classificação, depois da vergonheira do ano passado, para os mata-mata do Paranaense. Tem a confiança da maior parte da torcida e fica meu desejo de que nos dê muitas outras alegrias.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)