
Máquina do Tempo
Por: Luiz Eduardo Buquera
Em 2003, o Coritiba começou o Campeonato Paranaense sob uma certa desconfiança da torcida. Embora tivesse um time base que havia feito boa campanha no Brasileirão do ano anterior, ainda havia a memória da derrota vexatória para o Gama que resultou na perda da classificação para o mata-mata decisivo entre as oito melhores equipes da competição. O Verdão também havia perdido alguns atletas titulares, como Lúcio Flávio, Reginaldo Araújo e Da Silva, e a perspectiva para contratações não era das melhores. Acertadamente, o técnico Paulo Bonamigo foi mantido pela diretoria.
Para a estreia daquele Campeonato a maior preocupação da torcida estava relacionada ao ataque, que contaria com Marcel, jovem que havia atuado em apenas algumas partidas e já era contestado por parte da torcida, e Edu Salles, até então um mero desconhecido. As expectativas estavam colocadas na estreia de Marco Brito, que vinha do Fluminense, e que a maioria acreditava que seria o comandante titular do ataque alviverde, seguindo aquele pensamento de que a "grama do vizinho é mais verde que a minha".
Surpreendentemente, o Coritiba estreou com uma goleada por 7x1 contra o Prudentópolis, equipe que nos anos anteriores havia se revelado difícil de bater. Era uma boa largada para uma equipe que necessitava de confiança, que se reforçou com vitórias nos clássicos e sobre o Londrina fora de casa. O Coritiba só não terminou a fase de classificação com 100% de aproveitamento, porque na última rodada empatou em 2x2 com o Paranavaí, no noroeste do Paraná.
Após passar pelo Malutrom em jogo único nas quartas de final e nas semifinais, com dois empates, superar o Londrina, que havia eliminado nosso eterno rival, o Glorioso teria que enfrentar o Paranavaí na luta pelo título que não vinha desde 1999.
Coritiba e Paranavaí chegaram invictos à decisão, podendo repetir a marca de campeão invicto alcançada pelo Alviverde no longínquo ano de 1935. O Verdão poderia ainda igualar o arquirrival que havia terminado invicto os estaduais de 1929 e 1936, o que acabou ocorrendo. Em 2011 o Coxa repetiu a dose e superou a marca do rival.
Na primeira partida da decisão, o Coritiba teve um início de partida avassalador, abrindo dois gols de diferença, o que gerou a falsa impressão de que seria fácil. O adversário reagiu e igualou o placar, mantendo-se a invencibilidade de ambos e deixando-os em condição de brigar pelo título no embate do Alto da Glória.
Estavam presentes todos os ingredientes necessários para uma grande decisão, que acabou ficando para a história, ou seja, um belo domingo ensolarado, a "torcida que nunca abandona" chegando em peso ao Couto, a torcida adversária representada por um bom número de integrantes, considerando-se a distância entre as cidades, e dois bons times que chegaram com justiça para decidir o título.
O público superou a marca de 45 mil torcedores. Desde então, a barreira dos 40 mil só foi superada em 2007 na partida contra o Marília pelo Campeonato Brasileiro da Série B (em torno de 43 mil torcedores), algo que se almeja para a decisão de domingo contra o Maringá.
A partida iniciou de maneira muito disputada, com o Coritiba buscando mais o ataque, mas o Paranavaí sempre que podia ameaçava a meta de Fernando. Aos 21 minutos, em cruzamento para área, cortado com o braço pelo atleta adversário, Marcel abriu o placar para o Coritiba, em cobrança de pênalti.
A partir do gol, o Paranavaí necessitando igualar o placar teve que se expor, dando mais espaços ao Coxa. Os espaços aumentaram quando as duas equipes tiveram jogadores expulsos na segunda etapa. Reginaldo Nascimento pelo Coxa, aos 17 minutos, e Rodrigo, pelo Vermelhinho aos 20 minutos.
O Coritiba, que já havia acertado a trave num chutaço de Adriano, ampliou a vantagem aos 33 minutos, em belíssima finalização de Edu Salles. Com 2x0 no placar, o Verdão administrou a partida até que pudesse comemorar o título em casa com a massa alviverde, o que não ocorria desde 1989. O Glorioso foi campeão de maneira incontestável, com sete pontos à frente do vice-campeão, tendo o melhor ataque da competição a o artilheiro. Marcel, sobre quem pairava muita desconfiança no início do ano, e que terminou o certame com 10 gols.
Ficha Técnica
Coritiba 2x0 Paranavaí - 23 de março de 2003.
Estádio Major Antônio Couto Pereira
Coritiba: Fernando, Ceará, Fabrício, Juninho e Adriano; Reginaldo Nascimento, Roberto Brum (Pepo), Tcheco e Lima (Williams); Edu Salles e Marcel. Técnico: Bonamigo.
Paranavaí: Vilson, Daniel, Marcelo, Rodrigo e Maurício (Vanderlei); Márcio, Gian, Edilson (Nelmo) e Júlio; Aléssio (Alessandro) e Neizinho. Técnico: Itamar Bernardes.
Gols: Marcel (CFC) 21/1 e Edu Salles (CFC) 33/2.
Público pagante: 47.208 pessoas
Árbitro: Héber Roberto Lopes.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)