
VERGONHA
O ano de 1989 era especial para o Coritiba, o clube completava 80 anos de existência, trazia ainda reflexos positivos da conquista do campeonato brasileiro.
No estadual uma campanha maravilhosa, um dos melhores times da história, que resultou em um título memorável. Com auxílio dos “bingões” o Coritiba promovia reformas no Estádio Couto Pereira, era o fim do alambrado e o fosso estava sendo concluído.
Justamente a reforma trouxe problemas ao Coritiba, em partida realizada contra o Sport já pelo campeonato brasileiro no dia 04/10. O adversário vencia por 1x0, quando o zagueiro Berg empata a partida, ao buscar a bola dentro do gol é agredido pelo goleiro Rafael Cammarota (campeão brasileiro de 1985), que naquela oportunidade defendia a equipe nordestina. Um torcedor invade o gramado e tenta revidar a agressão, sendo contido pelos atletas das duas equipes.
Começava então o outubro negro de 1989. O Coritiba recebe como punição a perda do mando, que deveria cumprir contra o Santos em Juiz de Fora (na época a CBF determinava o local). A partida era a última da primeira fase, o Coritiba disputava diretamente a classificação contra a equipe do Vasco, o que motivou buscar junto ao departamento técnico da CBF o direito de realizar sua partida no mesmo horário dos cariocas. Com a negativa da entidade o clube ingressou junto ao triibunal da CBF de uma solicitação de liminar, que foi atendida pelo auditor do STJD Paulo César Costeira.
Em reunião dos dirigentes, ficou decidido que o clube não jogaria no dia 21/10, mesmo assim a partida teve seu início e o Coritiba foi declarado perdedor por WO.
Algumas informações foram conflitantes no dia seguinte, a liminar teria sido “cassada”, mas o Coritiba não teria recebido a notificação. Na época as liminares eram comuns e diversos clubes buscam seus direitos junto ao tribunal, inclusive o Vasco da Gama, campeão naquele ano.
No dia 23/10, através de uma medida administrativa, sem respaldo legal e digna de autoritarismo absurdo, o presidente da CBF Ricardo Teixeira suspende o Coritiba por 1 ano das competições oficiais.
Após diversas manifestações, ações na justiça comum, a diretoria do Coritiba, já em 1990 firmou um acordo junto a CBF voltando a disputar as competições, mas rebaixado para segunda divisão.
Essa atitude arbitrária por parte do presidente da CBF Ricardo Teixeira, prejudicou a evolução do Coritiba, permanecendo vários anos fora da elite do futebol brasileiro, causando prejuízos financeiros e morais que se refletem até os dias atuais.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)