
Máquina do Tempo
Por: Luiz Eduardo Buquera
A semana que antecedeu o clássico atleTIBA de 01 de maio de 1990 já dava indícios de que iria se tratar de um grande espetáculo. A rivalidade entre as torcidas, como sempre, estava em alta, e as equipes lutavam pela liderança do Campeonato Estadual.
Naquela época, os torcedores aparentemente estavam mais focados em ver seu time vencer o adversário histórico do que em reclamar e desvalorizar a competição local. Quem imaginaria nos dias de hoje uma partida da fase inicial do Campeonato Paranaense arrastando uma multidão de torcedores para o estádio? Vale lembrar que ambos haviam sido rebaixados para a série B do Campeonato Brasileiro poucos meses antes, o Coritiba por vergonhoso ato administrativo da CBF e o seu eterno freguês na bola mesmo.
O Coritiba vinha com a base daquele excelente time de 1989 e o rival com algumas contratações de jogadores com certo nome no cenário nacional, dos quais destacavam-se o meia Heriberto e o centroavante Kita. A maior parte da imprensa local dava um certo favoritismo para o rival Coxa-Branca, exercendo o eterno hábito de supervalorizar tudo o que é feito nos lados baixos da cidade.
Era uma época em que os clássicos tinham mais cara de clássico. As torcidas da equipe visitante tinham uma quantidade maior de ingressos, em torno de 30%, o que tornava a disputa nas arquibancadas mais acirrada e interessante. Pena que a violência e a inoperância de autoridades e dirigentes permitiu que a magia experimentada naqueles tempos ficasse no passado.
No meio da semana anterior já ocorreu um encontro das torcidas, que serviu de aperitivo para o clássico, ou "esquenta" no linguajar atual. Como era relativamente comum nos anos 70 e 80, na quarta-feira, 25 de abril 1990, realizou-se uma rodada dupla no Couto Pereira, que se parecia com um pequeno clássico, quando na partida de abertura o Coritiba, atuando com um time misto, venceu a duras penas o Iguaçu de União da Vitória por 1x0. Na partida de encerramento, empate em 0x0 entre Atlético-PR e Pato Branco. As equipes do interior do estado contaram com o reforço das torcidas rivais da capital.
Numa terça-feira, no feriado de 01 de maio, fez um dia muito bonito, ensolarado, com céu azul e temperatura agradável. As torcidas chegando ao estádio proporcionaram um espetáculo de cores, infelizmente manchado por confrontos violentos pontuais nos arredores do estádio. Muitos torcedores de ambas as equipes ficaram do lado de fora, pois as arquibancadas de ambos os lados estavam abarrotadas; viu-se um espetáculo jamais repetido no futebol paranaense. Com um público total de mais de 55.000 pessoas, as equipes entraram no gramado com um barulho ensurdecedor de fogos e dos cantos das torcidas.
Os atleticanos ocuparam a curva de entrada do estádio, enquanto a Torcida que nunca abandona lotou a reta da Mauá e a curva de fundo, além das sociais, onde restaram pouquíssimos lugares desocupados.
A partida foi eletrizante. Com a rivalidade, ocorreram lances ríspido e cartões, mas o Coritiba de Paulo César Carpeggiani, melhor organizado em campo, apesar da ausência do craque Tostão, dominou as ações e logo assumiu a frente do placar em lançamento preciso de Serginho para Ronaldo Lobisomem, que venceu a zaga na velocidade e bateu na saída de Toinho.
Logo em seguida, o Verdão ampliou com Chicão, após uma linda jogada de André sobre Heraldo e cruzamento preciso para o artilheiro. Um confronto inusitado entre dois campeões brasileiros de 1985.
O primeiro tempo, totalmente dominado pelo Alviverde, terminou marcando 2x0 no placar. O segundo tempo foi um pouco mais equilibrado, com leve superioridade do Coritiba, que conseguiu ampliar com cabeceio de Chicão, dando números finais ao placar. Foi só aguardar o apito final do árbitro, sob a cantoria da torcida Coxa, para que a massa voltasse para casa. Alviverdes eufóricos e rubro-negros acabrunhados.
Além da satisfação por vencer o clássico de maneira incontestável, o Coritiba assumiu a liderança, superando o rival e Chicão igualou o número de gols de Kita e Tico, do Matsubara, na briga pela artilharia do campeonato.
Ficha Técnica
Coritiba 3x0 Atlético-PR - 01 de maio de 1990
Estádio Major Antônio Couto Pereira
Coritiba: Gérson, Ditinho, Vica, Jorjão e Paulo César; André, Osvaldo, Marco Aurélio e Serginho; Ronaldo Lobisomem e Chicão. Técnico: Paulo César Carpeggiani.
Atlético-PR: Toinho, Odemilson (Everaldo), Osvaldo, Heraldo e Paulo Mendes; Cacau, Valdir e Heriberto (Márcio), Carlinhos, Kita e Marco Antônio. Técnico: Borba Filho.
Gols: Ronaldo Lobisomem (CFC) 20/1 e Chicão (CFC) (2) 22/1 e 11/2.
Público pagante: 52.028 pessoas.
Público total: 55.897 pessoas.
Árbitro: Francisco Carlos Vieira.
Foto: Manchete Tribuna do Paraná 02/05/1990
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)