
ARTIGOS
”Não sou muito dado a “lugares-comuns” como ferramenta para descrever situações delicadas. Porém hoje tenho que me render e me valer daquela máxima que define a burrice: persistir no erro.
É claro que neste ano que se iniciou há pouco nos seria exigida, de nós Coxas-Brancas, a virtude da paciência. E paciência foi o que tivemos todos, ao não radicalizar as atitudes e, principalmente, a continuar declarando nosso amor incondicional ao Coritiba, mesmo diante da mais suprema das humilhações. Aquele “Coxa eu te amo!” dito ao final de cada texto escrito por nós é a mais bela forma de retratar essa paixão que nos move e que não nos deixa perder as esperanças.
Mas os dias têm passado e o meu desespero, em particular, tem aumentado. Desespero esse que tem me levado a idolatrar jogadores juvenis e a esperar deles a solução de todos os nossos problemas. Quando, porém, me permito ter o mínimo de lucidez, vejo que isso é uma loucura.
Volto um pouquinho no tempo e me lembro de situações recentes em que os dirigentes pareciam estar cegos, ou simplesmente ausentes: engatávamos uma seqüência de derrotas que por certo nos levaria (como nos levou) ao abismo, e nenhuma atitude era tomada. Insistia-se com treinadores (alguns Lopes da vida nem merecem este título) fracassados e justificava-se tudo apelando para a paciência. Quando acordaram (se é que acordaram) o desastre estava consumado. Desastre que parece não ter mais fim, prolongado que está sendo por dívidas antigas, contratações equivocadíssimas e contusões madrastas sofridas por aqueles que pareciam ter um coração no peito.
Eu também não sou dado a loucuras. Mas o que seria realmente loucura: permitir-se um arroubo de ousadia e dizer a todos, a exemplo do Abel em 1999, que ninguém é maior do que o Coritiba, ou manter a tal “política pés-no-chão” (que nos impede, por exemplo, de renovar com o Caio) e seguir o caminho de Bahia e Vitória? O quê??? Terceira divisão??? Como eu pude pensar nisso??? Dá vontade de parar por aqui para não soar como catastrofismo barato. Mas quem, há pouquíssimo tempo atrás, imaginava o Coritiba na segundona? Se não tivermos medo do fim do poço nunca encontraremos forças para do buraco sair.
Vejo, de longe, o Alto da Glória envolvido por um estado de torpor. Tenho perdido o sono, e me pergunto se pelo menos alguns dos nossos dirigentes ou dos membros dos conselhos do Clube também têm. Ou será que estão todos nesse estado letárgico, esperando que essas nuvens negras se dissipem por si só, sem precisar de qualquer esforço pessoal??
Por favor, mais do que um desabafo fica aqui um pedido aos homens que tem o poder nas coisas Alviverdes: acordem!
Um grande abraço” .
Marcus Popini, do Rio de Janeiro. Marcus é Coxa-Branca de coração.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)