
ARTIGOS
”Antes de mais nada, gostaria de agradecer aos colunistas Luiz Carlos Betenheuser Júnior e Samir Alexandre Gebara do site www.coxanautas.com.br, pela publicação, em 30/11/2005, do texto de minha autoria – O Poder do Amor e da Crença – que repercutiu de forma muito positiva junto a torcida Coxa-Branca. A todos que puderam ler e entender minha mensagem, meus agradecimentos.
Passado o sufoco e um pouco da tristeza pelo descenso à segunda divisão do querido Coritiba Foot Ball Club, é hora de encarar a situação de uma forma bastante objetiva, séria, comprometida, mas sobretudo, otimista.
Nenhum torcedor, em são consciência, afirmaria que um rebaixamento ou a perda de um título importante pudesse servir de estopim para o desencadeamento de uma reação positiva para o seu clube do coração. Inúmeros são os exemplos contrários, ou seja, quando algo de ruim acontece para o clube, a reação imediata é a transformação da ira em violência ou quebra de cadeiras em estádios!
A torcida do Coritiba, sempre pioneira, na tarde do dia 04 de dezembro de 2005, mostrou ao Brasil um sentimento extremamente nobre, um sentimento de amor incondicional ao seu clube!
Quando escrevi o texto ao qual já me referi, fiz um pedido aos jogadores do Coxa para que os mesmos jogassem aquela partida com muita seriedade e valentia. Parece que meu apelo foi atendido! Naquela tarde de dezembro, mais do que nunca, senti orgulho de ser Coxa-Branca. Mas como isso foi possível? Afinal, o time estava sendo rebaixado em campo – fato jamais sequer cogitado pela enorme torcida Coxa-Branca, e a tristeza era mais do que inevitável.
Hoje, com a cabeça mais fria, com a poeira já assentada, entendo que o que fez explodir aquela reação na torcida foi ver em campo um time limitado, muitas vezes questionado (até por mim), mas que deu sangue e honrou a tradicionalíssima camisa verde e branca. Ficou, então, uma certeza no ar: o Coritiba jamais poderia ser rebaixado por tudo o que representa no contexto futebolístico brasileiro e em assim sendo, restou a certeza de que a queda será o primeiro passo para nos tornarmos maiores do que já somos, afinal, 96 anos de história e tradição não é para qualquer um.
Retomando o tema quanto à reação da torcida, tenho a mais profunda convicção de que nem ela mesma tinha a exata medida do amor que sente pelo clube!
Por muitos anos foi criado um mito de que a torcida do Coritiba era fria e que não passava emoção aos seus jogadores – o que bem sabemos não ser verdadeiro. Porém, se ainda existia algum resquício deste mito, com certeza ele foi diluído com a demonstração fática, pura, irrestrita e emocionada da torcida naquela fatídica tarde.
Eu acredito que esse acontecimento será um divisor de águas na gloriosa história do Coritiba Foot Ball Club e arrisco a dizer que há uma explicação intrínseca para este fenômeno.
Fazendo um paralelo, há sempre uma velha máxima que permeia a nossa sociedade – o povo brasileiro não é patriota! Essa assertiva é normalmente utilizada quando ocorrem fatos que envergonham a sociedade brasileira, como a corrupção política, a degradação desmedida do meio ambiente, entre outros que são diariamente veiculados pelos meios de comunicação.
Entendo que a falta de patriotismo do povo brasileiro, de um modo geral, é uma realidade, pois o mesmo nunca precisou lutar para conquistar o seu território. Historicamente, nosso país jamais precisou participar de uma guerra para conseguir sua independência, contrariamente, por exemplo, aos Estados Unidos que tiveram que lutar e muito contra a Inglaterra para poder gozar de sua liberdade. Não estou defendendo aqui qualquer tipo de justificativa para a guerra, nem tampouco tecendo elogios aos Estados Unidos. O que quero simplesmente demonstrar é que quando temos que lutar por algo e o alcançamos, o valor que lhe é agregado é muito maior do que quando nos vem de forma menos onerosa.
Analogicamente, remeto ao rebaixamento do coxa o mesmo raciocínio. Diferentemente do que aconteceu em 1989, quando o Coritiba foi arbitrariamente rebaixado à segunda divisão pela CBF, em 2005 o que mais comoveu a torcida Coxa-Branca foi ver em campo seu time ser rebaixado.
Isso criou em todos nós uma sensação de dor muito profunda, pois como dito, jamais imaginaríamos ser rebaixados nessas condições, sabedores que somos de tudo o que este clube é e representa.
Mas o imponderável aconteceu! Infelizmente o que nunca sequer poderia ser imaginado consolidou-se. O que fazer então? Xingar os jogadores, insultar a diretoria, quebrar o patrimônio do clube, pichá-lo ou simplesmente virar as costas? Definitivamente essas “soluções” seriam as mais previsíveis, mas não para a torcida Coxa-Branca!
O que ficou de toda essa história é uma sensação de que algo deve ser feito para desfazer aquilo que o destino reservou ao mais tradicional clube do Estado do Paraná.
Assim sendo, acredito que o destino não aplicou ao Coritiba uma peça, uma punição ou um castigo. Prefiro acreditar que o destino resolveu dar ao Coritiba a oportunidade para a sua consolidação definitiva como um dos clubes realmente grandes no cenário nacional.
Será uma insanidade afirmar que com muito planejamento, seriedade e trabalho o rebaixamento poderá ser encarado como o renascer do clube? Acredito que não e a torcida vem demonstrado a mudança deste paradigma desde antes do apito final da partida contra o Internacional.
O choro, a emoção exacerbada, os cantos de amor irrestrito e as demonstrações de orgulho de ser Coxa-Branca são reflexos do amadurecimento pelo qual a torcida está passando.
Esse será o maior legado do rebaixamento. Não o de tristeza, mas o de reconstrução, o despertar de um sentimento que fará com que este clube retorne ao seu lugar de forma muito mais forte, encorpado e preparado para disputar campeonatos para ganhá-los, não somente para contentar-se em obter uma boa classificação como até então estava sendo feito.
O rebaixamento era tudo o que temíamos e o importante era fazer um bom papel no campeonato, pois assim a missão estava cumprida! Pois bem, tudo mudou! Fomos rebaixados, mas nossa meta é, a partir de agora, construir um clube realmente forte de dentro para fora, mas principalmente de fora para dentro.
À torcida do Coritiba cabe um só papel: ATITUDE! As ações individuais que, a princípio, parecem ser inócuas devem se tornar uma constante. Deve haver um somatório de forças para que o bem maior seja alcançado – a transformação do clube num gigante (que sempre foi, mas que estava dormente).
É preciso acreditar que qualquer iniciativa é importante. Conversar com os amigos, com os parentes, com as torcidas organizadas e até mesmo com os conselheiros do clube pode ser um ponto de partida.
Utilizar todos os meios de comunicação também será fundamental. Seja através das inúmeras comunidades criadas no Orkut, por exemplo, seja por meio de e-mails dirigidos às rádios, às redes de televisão ou até mesmo criando grupos de discussão através da Internet o importante será a mobilização.
A iniciativa da criação de uma ONG, por parte do Coxa-Branca Leandro Requena, representante da torcida Coxa no programa Tribuna no Esporte da TV Iguaçu, é um exemplo de que tudo é possível para buscar um objetivo comum.
Conclamo a todos os Coxas-Brancas a mergulhar de cabeça nesta causa. Façamos tudo que estiver ao nosso alcance para ajudar os dirigentes neste projeto de transformação do clube!
Arrisco a dizer que se todos nós fizermos nossa parte, o Coritiba passará a contar com duas datas de aniversário, a primeira em 12/10/1909 – sua fundação, e 04/12/2005 – data do acontecimento mais triste de sua história, mas responsável pela transformação definitiva do amado Coritiba Foot Ball Club.
Então, mãos à obra!! Todos nós temos o dever de contribuir para a transformação que irá, queiram ou não os adversários, acontecer no Alto de tantas glórias!!!”
Saudações Alviverdes!!!!
COXA EU TE AMO!!!
Percy Goralewski é advogado e Coxa-Branca de coração.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)