
Voltar a vencer
Por: Jorge Junior
Na língua portuguesa existem centenas de clichês, algo como “Fechar com chave de ouro”, “Agradar a gregos e troianos”, “Se cada um fizer a sua parte”; dentre outros. Agora, um dos aplicados ao futebol e que tende a ser terrível, quando se pensa em seu significado, é “Foi uma derrota para se esquecer” ou “Foi uma temporada para ser esquecida”. Não, não tem nada mais equivocado que isso. Muito pelo contrário, se foi derrotado ou caiu de divisão; tem-se que analisar todos os aspectos que levaram ao insucesso, para não repeti-los.
Toda essa introdução cabe ao Coritiba, que, ano após ano, vinha esquecendo das derrotas e das quedas para a segunda divisão. E eis que chega à presidência Renato Follador; um homem de negócios, um apaixonado pelo time do Alto da Glória, alguém que sabia como gerenciar. Quis o destino que ele não pudesse continuar sua caminhada.
O ano começou em alto estilo, ganhamos alguns jogos, a torcida empolgada, e o resultado? Uma vexaminosa não classificação entre os oito times para disputar as finais. Parecia que não tínhamos aprendido nada, que seguiríamos o mesmo caminho que percorremos desde as finais da Copa do Brasil em 2011 e 2012: insucessos constantes e geridos por aventureiros na direção do clube
Mas nada como um dia após o outro (olha o clichê aí). Começa a “mais difícil 2ª divisão da história”, e o Coxa, ao contrário do que poderia ser a expectativa, vem sendo uma das melhores equipes do torneio, pode-se até arriscar a dizer que é a melhor, não fossem os sete pontos debitados na conta de arbitragens terríveis, incapacitadas, ridículas e outros adjetivos não publicáveis. Seriam 37 pontos na tabela. Sete a mais do líder Náutico, que nas duas últimas partidas levou sete gols e parece estar perdendo o fôlego.
Aos trancos e barrancos (clichê danado, me largue), mesmo com atraso de salários (agora postos em dia em virtude dos patrocínios com a Neodent e a Limber Software), com a desconfiança de parte da torcida para com o técnico, e com a queda de rendimento daquele que se esperava ser o craque da equipe, Rafinha (que não tem jogado bem), o Coritiba mostra força e pode terminar o primeiro turno na primeira colocação e pavimentar o caminho para a volta à Série A.
Outro aspecto bastante positivo nesse primeiro semestre é que a preocupação da torcida está centrada no time, se jogou bem, se Igor Paixão é mesmo o homem de velocidade, se Biro pode ser o lateral esquerdo. Estamos felizes com a solidez da zaga, o faro de gol de Leo Gamalho, o crescimento de Robinho, a polivalência de Val. Ninguém nem lembra da presidência do clube, que vem trabalhando bem, fazendo o feijão com arroz (último clichê, prometo). E esse deveria ser também o papel dos juízes horrorosos que nos prejudicaram até aqui, não querer ser a estrela (negativa), mas sim fazer o trabalho que lhes cabe e deixar o que os jogadores Coxas-brancas sabem fazer de melhor: dar alegrias para nós torcedores.
O Coritiba mudou a chave (quebrei a promessa lá de cima, outro clichê, desculpe). Até aqui a direção vem fazendo o trabalho, em silêncio, sem querer aparecer. Ao que parece sentaram, discutiram, fizeram o planejamento bem feito. E o resultado para quando se aprende com os erros passados, com partidas e campeonatos que não “são para esquecer” é um só: evolução. Não somos a última bolacha do pacote (esse clichê foi de propósito), mas estamos fazendo o certo, aquilo com que a torcida da alma guerreira se acostumou: VENCER!
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)