
GUERRA
Na sequência de matérias que mostram a força da torcida que nunca abandona, chegou a vez de lembrar da partida contra o então invicto há seis jogos, Palmeiras chegava ao Couto Pereira. Em meados do mês de agosto era apontado pela mídia brasileira como o principal candidato ao título do Campeonato Brasileiro. O técnico Muricy Ramalho havia estreado no clube paulista quatro rodadas antes e, com seu discurso inflamado, enchia de confiança os seus jogadores, que estavam certos de que não poderiam perder pontos para um clube localizado na parte inferior da tabela.
Mas o que o elenco e a comissão técnica palmeirense não esperavam era a força que emanava das arquibancadas do Couto Pereira. Já na entrada dos jogadores, o magnífico Green Hell promovido pela Nação Alviverde mostrava o quanto os adversários precisariam jogar para sair com algum ponto do Alto da Glória e, assim que a bola rolou, o "Vamos em busca da vitória" foi entoado a plenos pulmões pela Torcida Coxa-Branca naquela noite de quarta-feira.
O jogo, nervoso, era uma verdadeira batalha dentro de campo. Enquanto isso, fora das quatro linhas, a Torcida que Nunca Abandona continuava a gritar, ainda mais forte, a cada minuto que o relógio roubava do time Alviverde. Aos 33 minutos, após jogada desleal, o volante Pierre foi expulso, aumentando os espaços do Cori. Mas a vantagem numérica durou pouco, já que menos de dez minutos mais tarde, Leandro Donizete também foi excluído do jogo. E assim acabou o primeiro tempo daquela partida.
Ciente da responsabilidade de vitória, já que encontrava-se em situação desconfortável na tabela, o Coritiba iniciou o segundo tempo sufocando o líder e, em busca da vitória, criava as suas principais chances. Entretanto, os espaços deixados na zaga abriam a oportunidade para contra-ataques do Palmeiras, muitos deles parados na verdadeira pressão das arquibancadas sobre os jogadores adversários.
Na metade da segunda etapa, a bola na trave de Marcelinho aumentou a angústia da Torcida, que foi à loucura, cinco minutos mais tarde, após um pênalti claríssimo em Marcos Aurélio não ter sido marcado. Foi a deixa para que o Couto Pereira se incediasse de vez e a Nação Coritibana começasse a resolver aquela batalha "no grito".
Pressionada ininterruptamente por mais de dez minutos, a equipe palmeirense se perdeu na partida e não conseguia mais encaixar seus contra-ataques. Preferia se cuidar na defesa, deixando o tempo passar e querendo manter a sua invencibilidade.
Mas em uma jogada de raça de Thiago Gentil, já aos 45 minutos do segundo tempo, veio a esperança. O meia-atacante partiu rápido em direção à área palmeirense e foi derrubado por Marcão. Pênalti que, dessa vez, o árbitro carioca Péricles Bassols não teve como fazer "vistas grossas".
Marcelinho foi para a cobrança carregando em seus ombros a responsabilidade de dar ao time - que não parou de lutar - e à torcida - que acreditou até o último minuto - uma vitória épica sobre o líder da competição. O capitão Alviverde bateu a penalidade com categoria, no canto esquerdo do goleiro Bruno, fazendo explodir a massa Coxa-Branca nas arquibancadas. Vitória de um time que demonstrava Alma Guerreira e de uma torcida que não abandonou por um minuto sequer.
No jogo contra o Fluminense, no próximo domingo, essa sintonia precisa estar mais forte do que nunca. Jogadores, lutem até o último minuto, vocês não estarão sozinhos. Vamos em busca da maior e derradeira vitória nesse ano.
Torcedor vista sua camisa, pinte o rosto de Verde e Branco, amarre sua bandeira no corpo e vá ao Alto da Glória no domingo empurrar o Coxa para cima do Fluminense.
Domingo, 6 de dezembro, todos os caminhos levam ao Alto da Glória.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)