
MEDICINA ESPORTIVA
Venho através desta, transmitir todo o meu orgulho de ser Coxa-Branca e Coordenador Médico do maior time de futebol que o Estado do Paraná jamais teve.
Neste ano de 2008, completo 11 anos de trabalho e dedicação a esta paixão. Desde quando regressei dos Estados Unidos em 1997, onde acabara de completar dois anos de especialização em Medicina Esportiva, na Universidade de Pittsburgh, trabalho no Coritiba com o objetivo de prevenir e curar as lesões de nossos atletas, um dos dois maiores patrimônios de nosso amado Clube – o outro é a sua Torcida Que Nunca Abandona.
O trabalho de um médico, em uma agremiação esportiva, é árduo e muitas vezes mal compreendido. Em parte, pela sua característica de somente aparecer em momentos tristes, de lesões, e em parte pelo desconhecimento, por parte de alguns, sobre nossa real função como responsáveis diretos pela integridade física e psíquica de nossos atletas.
Hoje, tenho orgulho de dizer que chefio uma equipe de elevado nível técnico e que pode ser comparada às equipes médicas dos melhores times do país. Para podermos atender mais de 150 atletas, de todas as categorias (profissionais e amadores), em todas as necessidades que o futebol moderno exige, tanto do ponto de vista preventivo quanto curativo, trabalhamos com uma equipe de cinco médicos: Dr. Walmir Sampaio, Dr. William Yousef, Dr. Bráulio Moreira Jr. e Dr. Gilmar Dias, ortopedistas e Dr. José Mauro Espósito, cardiologista esportivo; quatro fisioterapeutas esportivos: Sérgio Portugal, João Marcelo, Gustavo Rezende e Raul Furlani; nutricionista esportiva: Tânia Delezu; psicóloga esportiva: Flávia Focaccia; enfermagem: Jackson Santana do Nascimento e os massagistas do profissional, João Miranda e Moacir Medeiros. É um verdadeiro time de branco para atender plenamente o time maior, Alviverde.
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Sinto-me orgulhoso, ainda, por ver que dois dos titulares, da atualidade, foram operados por mim e recuperados pela nossa equipe de fisioterapeutas. Todos lembram do drama do atacante Keirrison, que rompeu o ligamento cruzado anterior de seu joelho, e que, após cirurgia e 10 meses de recuperação fisioterápica, se sagrou campeão Brasileiro Série B, como artilheiro do Coritiba, e que neste Campeonato Paranaense 2008 é novamente artilheiro pelo Coritiba. Ou seja, a plena recuperação médica de um patrimônio cujo passe vale mais de dez milhões de reais. Outro motivo de meu orgulho é o veterano craque Veiga. Hoje, peça fundamental do esquema tático do time. Operei o joelho do Veiga, em outubro de 2007, e, após plena recuperação fisioterápica, é titular novamente.
Nestes 11 anos de Coritiba operei mais de 50 craques profissionais e amadores do Coritiba e tenho imensa satisfação de vê-los, todos, jogando pelos gramados do mundo. Craques como Basílio, Vagner Mancini, Claudiomiro, Cleber Arado, Alan Aal, Edmilson, Mozart, entre outros, tiveram cirurgia e recuperação completa realizada por nossa equipe.
Todo este investimento, que a diretoria realiza em recursos humanos, tem por objetivo reduzir o chamado Lucro Cessante. Isto porque, para o Coritiba, enquanto empresa, um atleta lesionado significa muito mais do que o tempo vetado.
Significa uma diminuição de sua produtividade (não jogará) e significa um custo salarial sem produção. É como se compararmos o Coxa a uma fábrica que deixou de produzir, determinado bem, porque a máquina, mais cara e moderna, está quebrada.
No futebol moderno a equipe vitoriosa não é, necessariamente, aquela que tem o maior elenco de grandes estrelas. Mas, sim, aquela que tem a melhor constância de resultados e, para isso, a comissão técnica tem que contar com o maior número possível de atletas em condições físicas de participar das partidas.
Através de um trabalho intensivo de prevenção de lesões, que instituímos no Coritiba, em associação com o Departamento de Preparação Física, a partir de Maio de 2007, vimos uma diminuição radical no índice de lesões ocorridas em nossos atletas profissionais (vide gráficos), o que, com certeza contribuiu diretamente para a nossa conquista máxima, no final de 2007.
Em meados de maio de 2007, participei de um simpósio sobre prevenção de lesões no futebol organizado pela FIFA, dentro do Congresso Mundial de Medicina Esportiva (ISAKOS), em Florença, Itália, e tive acesso ao programa, desenvolvido pela instituição máxima do futebol, para ser usado pelas equipes da UEFA.
O programa chama-se The Eleven. O nome é um trocadilho com os onze atletas em campo e é composto por um grupo de onze exercícios de prevenção de lesões. Estes exercícios deverão ser aplicados a todos os atletas, diariamente e após os jogos. Esse programa nos trouxe, ainda, o importante enfoque na manutenção de uma excelente equipe de preparadores físicos e fisiologista do exercício para que o Departamento Médico possa se integrar e beneficiar os atletas do Clube, dentro e fora de campo.
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O próximo passo, para o completo desenvolvimento da Ciência do Esporte, dentro do Coritiba Foot Ball Club, está no investimento em estrutura de equipamentos que venham a aumentar os nossos bons resultados médicos.
Máquinas para a avaliação isocinética, a eletrotermofototerapia, a mecanoterapia, a cinesioterapia, áreas de propriocepção, piscina para hidroterapia, etc., já deixaram de ser novidade, nos grandes times do Brasil e do mundo. Isto mostra que o investimento em prevenção é um custo que sempre retorna na forma de grandes resultados.
Times campeões têm melhores patrocínios, lotam mais estádios e vendem melhor seus craques. Ou seja, qualquer investimento em prevenção traz grandes lucros em pequeno e médio prazos. E é com esta visão de futuro que o Departamento Médico do Coritiba está trabalhando com a atual diretoria para que, em curtíssimo espaço de tempo, tenhamos condições de apresentar à Nação Coxa-Branca um dos maiores e mais modernos Centros de Recuperação e Formação de Atletas do Brasil.
Saudações Alviverdes,
Dr. Lúcio Ernlund
Coordenador Médico Coritiba Foot Ball Club
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)