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Pesquisando a pesquisa
Esta semana a Gazeta do Povo revelou uma grande pesquisa sobre as torcidas em Curitiba e no Paraná. Os números mostram que, em Curitiba, a torcida do Atlético é maior que a do Coxa, especialmente entre os jovens e as mulheres. Muitos torcedores coxas se mostraram revoltados com a pesquisa, que ela foi feita num momento ruim do
time, etc e tal. Eu prefiro, porém, me ater aos fatos. E ao invés de brigar com eles, analisá-los.
Quando eu era garoto, a torcida do Coritiba era visivelmente maior. Só para ter uma idéia, entre 30 e poucos amigos, só havia uns 2 ou 3 atleticanos e um Colorado (pois é, sou do tempo do Colorado...), o resto era Coxa. Por que, então, hoje ainda não temos a maior torcida?
Segundo (outras) pesquisas, metade das pessoas que hoje moram em Curitiba não nasceram aqui, mas vieram do interior, de São Paulo, Santa Catarina, do Rio Grande
do Sul, etc. Eles não “nasceram” coxas ou atleticanos, mas foram conquistados. Depois porque no meu tempo, mulher não ia a estádios, no máximo simpatizava com um ou outro time. Bem diferente de hoje em dia.
Aí fica fácil entender o resultado da pesquisa. Com a Arena, o Atlético passou a impressionar os visitantes, protegê-los da chuva e do vento. Ir ao estádio virou um
passeio chique. Junte isso a alguns times de qualidade, títulos locais e nacionais, agressivas campanhas de marketing, e veremos que o Atlético é hoje o que nós fomos
entre os anos 70 e 80.
É certo que muitos dos “torcedores” do Atlético não devem passar de simpatizantes, daqueles que nunca vão a estádios e nem acompanham futebol. Os coxas que eu conheço são mais apaixonados, mais dedicados, mais torcedores mesmo. Mas mesmo assim os números são preocupantes. O que fazer então para mudar?
Primeiro é preciso saber que nada se faz de uma hora para outra. É preciso estratégia, planejamento e principalmente tempo e dinheiro. O primeiro passo é termos bons times de futebol: competitivos, estruturados, com bons jogadores, etc.
Depois é preciso resolver alguns problemas crônicos do Couto Pereira, como as saídas de água. No jogo contra o Vasco, por exemplo, me protegi da chuva nas cadeiras inferiores da Mauá, porém sobre a minha cabeça havia um enorme buraco na laje, que logo se transformou numa enorme catarata. E como elas, haviam muitas outras. Ou seja, era um espaço coberto que não protegia de se molhar.
Finalmente é preciso estruturar o marketing do clube. Hoje ele é feito por e para torcedores. É excludente e simplista. Ao invés de gerar empatia com quem ainda não tem time, causa o afastamento, por focar sempre palavras como maior ou melhor (que, via de regra, pode ser usado para qualquer um). Na mesma toada, faltam produtos licenciados nas lojas. Idéias mais criativas e ousadas que não somente exponha a marca, mas promovam novos conceitos para a “marca” Coritiba.
É importante lembrar que a criança de hoje é o torcedor de amanhã. E quanto mais torcedores, maior será a arrecadação do clube (ingressos x produtos licenciados x negociação com patrocinadores) e, por conseqüência, melhores serão as chances de conquistar títulos e novos torcedores. Como uma roda-vida.
Acho que chegou a hora da gente parar de brigar com as pesquisas e começar a trabalhar para reverte-la.
Gilson Genez
Redator publicitário e jornalista
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)