
OPINIÃO
Por favor, senhor Presidente Gionédis, chega. Veja bem, estou a lhe implorar: por favor, chega! Imagino ser essa a sua intenção: me fazer implorar. Pois estou a fazer isso. Não dá mais, não é possível suportar tanta humilhação.
Talvez meus trinta e dois anos de devoção ao Coritiba, dos meus trinta e nove anos de idade, não me dêem o direito de reclamar do senhor, que deve se dedicar ao Clube há mais tempo do que eu. Talvez o fato de eu nem morar mais em Curitiba torne a minha súplica ainda mais ridícula. Mas mesmo assim eu insisto: por favor, chega.
Imagino que nós, torcedores do Coritiba, estejamos todos errados ao criticá-lo, senhor Presidente. Afinal de contas, superávit é superávit. Longe de mim ter a pretensão de falar em nome dos demais torcedores, mas peço-lhe desculpas por ter lhe sido tão mal-agradecido.
Talvez eu esteja sendo ansioso demais. Tudo bem, acho mesmo que eu deveria ter encarado nossa queda à Segunda Divisão de uma forma mais positiva. Seria a chance de provar a grandeza do Clube, de entrar para a história como aqueles poucos que são capazes de “dar a volta por cima”. E por que subir logo no primeiro ano? Não seria melhor um martírio maior, capaz talvez de nos purificar de nossos erros (como tê-lo vaiado, por exemplo)?
Já se passou pouco mais de um mês e hoje sou obrigado a admitir que também fui injusto ao achar a desclassificação para o (ou a) ADAP (era isso mesmo?) um absurdo. Quanta prepotência de minha parte! Por que eu fui exigir respeito à tradição da camisa alviverde, esquecendo-me que do outro lado do campo havia um time que há de se tornar, certamente, uma nova potência no futebol brasileiro?
Ter ficado pelo caminho logo no início da Copa do Brasil também foi bom, ao contrário do que me pareceu a princípio, pois assim tive mais tempo para me preparar psicologicamente para o que ainda estava por vir.
Esqueci de me desculpar por algo? Se sim, peço desculpas também por isso. Mas, por favor, eu lhe imploro: chega! Imagino existir em mim um mínimo de inteligência, ainda que porventura pequena. O senhor, Presidente, não precisa me humilhar, ainda que eu (também porventura), tenha sido injusto com a sua pessoa. Ser goleado pelo Brasiliense (é isso mesmo?) e ter que ler uma desculpa (dada pelo seu funcionário mais importante) tão esdrúxula, me faz sentir o mais estúpido dos homens.
Chega de humilhação. Se o senhor não pode me dar, por conta do superávit, um time no qual eu possa confiar, dê-me ao menos um técnico que não me insulte. Por favor.
Coxa eu te amo!
Marcus Popini, do Rio de Janeiro. Marcus é Coxa-Branca de coração.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)