
Máquina do Tempo
Por: Luiz Buquera
O Campeonato Brasileiro de 1996 marcou o retorno do Coritiba à elite do futebol nacional, após anos de muito sofrimento na série B, fruto das inúmeras injustiças praticadas contra o clube no final da década de 80 e início dos anos 90.
A torcida experimentava sentimentos contraditórios, o de esperança por uma boa campanha, e, simultaneamente, o medo do rebaixamento. Após um primeiro semestre relativamente bom, que infelizmente não foi coroado com o título estadual, e após a saída de Magrão, artilheiro do certame, o Coritiba iniciou o campeonato brasileiro muito mal.
Logo, o medo do rebaixamento predominaria, mesmo que atingisse apenas os dois últimos de 20 participantes. Com contratações mal sucedidas e duas trocas de treinador ao longo da competição, o Coritiba lutou até a antepenúltima rodada para garantir sua presença no certame de 1997. Curiosamente, com uma vitória por 2x0 em Porto Alegre sobre o Grêmio, que seria o campeão daquela edição. Na rodada seguinte, ainda venceria no Couto a futura vice-campeã Portuguesa, por 4x0. Ficou a sensação de que o Coritiba poderia ter chegado mais longe, caso pudesse contar com Alex e Pachequinho por mais jornadas, e se tivesse trazido um bom centroavante e acertado o comando técnico desde o início da competição.
Ao final, os resultados que nos mantiveram na elite ocorreram sob o comando de Dirceu Krüger, contando com jogadores remanescentes do estadual e apenas dois novos contratados que deram algum retorno, o centroavante Roberto Carlos e o meia Edu Marangon.
No contexto relatado, o Coritiba viajou ao Rio de Janeiro para enfrentar o Vasco pela décima sétima rodada da competição, ocupando a décima oitava colocação. O adversário estava em décimo quinto, quatro pontos acima na classificação.
Com um time contando com seis atletas revelados em casa, juntamente com bons valores de anos anteriores, o Coritiba surpreendeu o cruzmaltino, abriu 3x0 no placar e conseguiu manter a vitória, mesmo após sofrer dois gols, um deles nos descontos.
A derrota custou o cargo do treinador vascaíno, Alcir Portela, que deu lugar a Antônio Lopes, o qual, em sua longa passagem pelo time da colina, conquistaria o Brasileirão de 1997 e a Libertadores de 1998, tendo justamente como base a equipe derrotada pelo Coxa.
Ficha Técnica
Vasco 2 X 3 Coritiba
26 de outubro de 1996
Estádio: Maracanã
Vasco: Carlos Germano, Pimentel, Sidney, João Luís e Cássio; Luisinho (Pedro Renato), Nélson, Juninho, Ramon, Edmundo e Macedo (Pedrinho). Técnico : Alcir Portella.
Coritiba: Anselmo, Silva, Auri, Luís Eduardo e Claudiomiro; Paulo Sérgio (Dirceu), Embu, Alberto (Jetson) e Alex; Roberto Carlos (Basílio) e Pachequinho. Técnico : Dirceu Kruger.
Gols : Claudiomiro 40/1 (CFC), Pachequinho 6/2 (CFC), Basílio 8/2 (CFC), Ramon 14/2 (VAS) e Pedrinho 46/2 (VAS).
Público pagante: 2.133 pessoas
Árbitro : Carlos Eugênio Simon
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)