
ARTIGOS
“Uma invencível torcida”
Vinícius Coelho, Tribuna do Paraná, 06/12/2005
Depois da jornada decisiva, resta recolher os cacos. Que coisa mais estranha o dia seguinte. Um time perde e é campeão, outro time perde e é vice. Outro ganha e é rebaixado. Quanta coisa se poderia falar dessa rodada final. O Bozzano, que voltou depois de uma geladeira de um ano, o que ele fez com o Paraná Clube? E o Cruzeiro, aquele Cruzeiro que Tostão, Dirceu Lopes, Zé Carlos, Piazza construíram, que vergonha domingo.
Mas, não. O que merece a gente utilizar o espaço da coluna, é a torcida do Coritiba. Nem é bem a torcida do Coritiba. Diria melhor: o amor de uma torcida por seu time do coração. Até hoje, em meus cem anos de competições, não vi nada igual. Não foi uma demonstração fanática, para aparecer lindamente na televisão. Nada disso. Foi uma presença carinhosa, de afeto, de sentimento mais profundo, de necessidade de mostrar que o que une a torcida com o time é o amor profundo que dilacera corações na amargura da derrota e faz com que as entranhas que ligam os sentimentos superem a dor de um resultado não esperado.
A torcida foi exuberante. Mostrou que não é apenas a maior, mas a que realmente ama o seu time. Que se entrega, que passa confiança, a confiança que fez com que a equipe se unisse e vencesse o vice-campeão, quando dava a impressão que tudo estaria resolvido, mas a esperança se esvaía na fumaça de um encontro entre amigos lá no Mineirão.
Reclama-se do Cruzeiro e dizem os do contra: mas vocês é que perderam a classificação. Exatamente. E não seriam os “vocês”, se houvesse dignidade na competição. Como dar o título ao Corinthians, em partidas em que ele jamais foi prejudicado e onde lhe devolveram quatro pontos? Aí o Inter tem toda a razão, mas também não vai adiantar nada.
A compensação para tudo isso, foi dada por aquelas moças derramando lágrimas, aquelas crianças olhando para o pai e para a mãe chorando, e todos encontrando forças não se sabe aonde para gaguejar um “Coxa Eu Te Amo”. Mostrou que continua sendo a maior torcida, e, mais do que isso, a que devota ao seu time o carinho e amor que atravessaram décadas, gerações e estará sempre cada vez mais presente na história de um clube que é a própria história do futebol paranaense.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)