
Máquina do tempo
Por: Luiz Eduardo Buquera
O Coritiba iniciou o campeonato brasileiro de 1985 com duas vitórias e deixou o torcedor esperançoso por uma boa campanha. Porém, a partir da terceira rodada, a equipe entrou em uma maré negativa que perdurou até o final do primeiro turno. O regulamento previa a passagem para a segunda fase aos campeões dos turnos em cada grupo, além das equipes com maior pontuação na classificação geral. Com a fraca campanha do primeiro turno, a única possibilidade de figurar na segunda fase era ser campeão do segundo turno.
Logo de cara duas partidas fora de casa, o São Paulo de Muller e Careca, dupla que seria titular no ataque da seleção brasileira na copa do mundo de 1986, e o Cruzeiro que poucos meses antes havia se sagrado campeão mineiro de 1984, e contava com o craque Tostão, que no ano seguinte estaria em nossa equipe campeã estadual de 1986.
No primeiro desafio, mesmo sofrendo muita pressão, o Coritiba resistiu com muita raça e soube aproveitar uma das poucas oportunidades para vencer a partida. Agora o desafio era o Cruzeiro. Uma vitória já seria excelente. Mas da forma como ocorreu, foi sensacional. Jogamos desfalcados de quatro titulares, Rafael, Vavá (até então era o titular), Lela e Édson, que foram substituídos por Gérson, Caxias, Gil e Paulinho, respectivamente.
Naquela noite de 13 março, a equipe treinada por Ênio Andrade jogou com Gérson, André, Caxias, Heraldo (Gomes), Dida, Almir, Marildo, Toby, Gil (Vicente), Índio e Paulinho. Após estar duas vezes atrás no placar, o valente Coritiba, conseguiu a virada nos minutos finais com dois gols de Índio. Além da euforia com a virada, brilhantemente narrada pelo saudoso ícone do rádio paranaense, Lombardi Junior, este jogo deixou clara a capacidade de superação deste grupo de jogadores. A participação efetiva dos substitutos de Lela e Édson, por exemplo, demonstrou essa virtude. Paulinho fez o primeiro gol, aos 2minutos da segunda etapa, com assistência de Gil. No segundo gol, aos 36 minutos, Paulinho deu a assistência para o primeiro gol de Índio, segundo do Coritiba. E o gol da vitória, aos 41 minutos, se iniciou em uma reposição do goleiro Gérson, mal cortada por um jogador cruzeirense, e muito bem aproveitada pelo ataque coxa-branca, numa bela tabela entre Índio e Toby. Nós torcedores não tínhamos ideia, mas ali estava se desenhando o grande campeão brasileiro de 1985.
Curiosidades sobre esta partida:
- O jogador Tostão, que viria a brilhar no Coritiba, deu as assistências para os dois gols cruzeirenses.
- Romualdo Arppi Filho foi o árbitro da partida. Meses depois, apitaria a partida final no Maracanã. No ano seguinte seria o juiz da final da copa do mundo.
- Foi a partida de estreia do zagueiro Caxias, que atuou apenas em mais duas partidas, numa passagem relâmpago de sete dias.
- O gol da virada, foi o último de Índio, antes do golaço de falta marcado na final contra o Bangu. Passou em branco no restante da primeira fase, por toda a segunda fase e pelas semifinais (16 jogos). Mesmo assim, foi o artilheiro do Coritiba na competição, com 9 gols. E cobrou com maestria um dos pênaltis decisivos. Índio foi o artilheiro dos campeonatos estaduais de 1984 (15 gols) e 1985 (10 gols).
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)