
Máquina do Tempo
Por: Luiz Eduardo Buquera
Na noite de 10 de maio de 2001, o Coritiba enfrentou o Goiás na partida de volta pelas oitavas de final da Copa do Brasil, após empate por 1x1 em Goiânia. Naquela edição da competição o Coxa fez grande campanha, sendo eliminado nas semifinais pelo Grêmio que viria a ser o campeão.
Se esperava uma partida difícil pois o Goiás tinha uma equipe muito qualificada. Ao mesmo tempo havia muito otimismo da torcida coxa-branca, já que havíamos empatado fora e contávamos com uma equipe muito boa também.
Faltou um pouco de sorte para essa equipe do Coritiba ter conquistado títulos e até mesmo uma melhor campanha no Campeonato Brasileiro que ocorreu no segundo semestre. Em 2001, fomos semifinalistas da Copa dos Campeões, da Copa do Brasil e do Campeonato Estadual, sendo eliminado deste último aos 47 minutos do segundo tempo, após buscar uma desvantagem de dois gols. Também fomos finalistas da Copa Sul Minas e ficamos invictos nos confrontos contra o maior rival, com duas vitórias e um empate no qual desperdiçamos um pênalti.
Essa partida contra o esmeraldino goiano foi sensacional, cheia de reviravoltas, um verdadeiro teste para cardíacos. Ainda havia a particularidade do regulamento que utilizava o número de gols marcados fora de casa como critério de desempate.
Começamos a partida classificados com resultado de 0x0. O Goiás fez 1x0 e passou a ter um placar que o classificaria. Empatamos, o que resultaria em cobranças de pênalti. O adversário, que era valente e ofensivo, continuou buscando o resultado, assim como o glorioso do Alto da Glória. Ainda no primeiro tempo, sofremos o segundo gol que dava a classificação aos goianos. E pior, agora o empate não servia de nada ao Coritiba. Teríamos que virar a partida.
Fomos para o tudo ou nada no segundo tempo, adotando pela primeira vez o esquema 3-5-2 com dois meio campistas como alas. Juliano pela direita e Fabinho pela esquerda. Ambos marcaram gols naquela partida. E contamos com um trunfo vindo do banco de reservas e que fazia sua estréia. O veterano atacante Evair, artilheiro e campeão pela maioria dos clubes por onde passou e que ainda estava jogando o fino da bola. Sua atuação foi fundamental para a reação e classificação.
O segundo tempo foi ainda mais eletrizante. Empatamos e continuamos buscando o terceiro gol, que nos daria a classificação. Mas ficávamos expostos ao contra-ataque do qualificado rival, que acabou resultando no terceiro gol, que nos afastava ainda mais do objetivo. Uma verdadeira ducha de água fria no outono curitibano. Até os mais otimistas torcedores tiveram um momento de desânimo.
Rapidamente os torcedores recuperaram as esperanças com o gol de empate, consequência da persistência e bravura da equipe. Pouco depois, conquistamos o tento que fez explodir a torcida e conseguimos segurar as investidas do adversário até o final, garantindo a classificação.
Uma partida épica, daquelas que o torcedor fica comemorando vários dias e que eleva a moral de qualquer equipe.
Curiosamente, os quatro gols do Coxa foram marcados por jogadores de defesa ou meio campo. O primeiro por Messias, volante vindo do Prudentópolis, e cujo nome gerou trocadilhos devido a marcar gols decisivos ao final de algumas partidas. Os alas (meias) Juliano e Fabinho marcaram o segundo e o terceiro gol, respectivamente. E o gol que selou a classificação foi marcado de cabeça pelo zagueiro Danilo.
Além do grande Evair que atuou no clube por 41 partidas entre 2001 e 2002, marcando 15 gols e fazendo inúmeras assistências, participaram desta partida histórica o volante/zagueiro Reginaldo Nascimento (338 partidas e 7 gols), grande ídolo da torcida, o artilheiro Marquinhos Cambalhota (75 partidas e 37 gols) e o zagueiro Allan Aal (60 partidas e 2 gols), que atualmente vem se destacando como treinador.
O Goiás contava com grandes jogadores, que se destacaram também em clubes do eixo e no exterior. O atacante Fernandão, já falecido, que teve destaque nos principais títulos do Internacional, o meia Danilo que conquistou inúmeros títulos importantes por São Paulo e Corinthians, o volante Josué que foi protagonista de várias conquistas no São Paulo, além dos dois maiores artilheiros da história do Goiás, Araújo e Dill, com 145 e 133 gols, respectivamente.
O treinador do Goiás era Vica, grande zagueiro do maior do Paraná na excelente equipe campeã paranaense de 1989.
Além de bons jogadores, o Coritiba contava com o treinador Ivo Wortmann, que conseguiu encontrar uma forma de jogar eficiente, aproveitando o elenco que tinha em mãos da melhor maneira possível, o que resultou em grandes atuações, lembradas até hoje pelos torcedores que tiveram a oportunidade de acompanhar.
Ficha Técnica:
10 de maio de 2001 - Coritiba 4 x 3 Goiás
Estádio Major Antônio Couto Pereira
Coritiba: Marcelo Cruz, Patrício (Alexandre Pinho), Paulo Roberto, Allan e Alemão (Danilo); Reginaldo Nascimento, Messias, Juliano e Fabinho; Marquinhos Cambalhota (Evair) e Enilton. Treinador: Ivo Wortmann
Goiás: Harlei, Jonathan, Sílvio Criciúma, Índio e Marquinhos; Josué, Marabá e Danilo (Luciano); Fernandão, Araújo e Dill. Treinador: Vica
Gols: Fernandão 6/1 (GOI), Messias 33/1 (CFC), Danilo 40/1 (GOI), Juliano 10/2 (CFC), Dill 15/2 (GOI), Fabinho 20/2 (CFC) e Danilo 26/2 (CFC).
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Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)