
Máquina do tempo
A temporada de 1995 foi muito importante para o Coritiba. Marcou o retorno do Coritiba à série A do Campeonato Brasileiro, após meia década de sofrimento e decepções.
O início do ano foi de muitas dificuldades. O elenco foi montado a partir de uma base remanescente de 1994 e de contratações de jogadores desconhecidos até então. Acrescentaram-se ainda alguns jogadores da equipe que disputou o paranaense de aspirantes daquele ano. Todos comandados por Paulo César Carpeggiani.
Ainda durante o Paranaense, após dificuldades financeiras que acarretaram em atrasos de salários, o campeoníssimo Evangelino da Costa Neves, renunciou para que um triunvirato, formado por Sérgio Prosdócimo, Joel Malucelli e Edson Mauad assumisse a administração do clube.
O Coritiba fez um bom Campeonato Paranaense, que permitiu o fortalecimento gradual da equipe, que por detalhes não conquistou o título diante do favorito Paraná Clube.
A base daquela equipe era formada por jogadores que chegaram de clubes menores e se destacaram, como Brandão, Marcos Teixeira e Zambiazi, revelações da base, como Alex, Auri, Cuca, Dirceu, Vilmar e Laurinho, pratas da casa remanescentes de anos anteriores como Pachequinho, Jorjão, Jetson e Paulo Sérgio, nomes experientes como Gralak, Dida e Ademir Alcântara, além de outros jogadores importantes como Renato, Claudiomiro, Marquinhos Ferreira e Polaco. Durante a disputa da série B, chegaram Márcio Griggio, Vital, Doda e Basílio (contundiu-se na estréia, e só pôde contribuir no ano seguinte).
O Coritiba fazia uma boa série B, apesar das dificuldades para vencer jogos fora de casa. Passou fácil pelas duas primeiras fases. Na terceira fase, cujos dois primeiros colocados se classificavam para o quadrangular decisivo, o Coritiba enfrentou o Mogi Mirim, time muito forte na época e único que fez frente à dupla atleTIBA, além dos tradicionais, Ceará e Remo. Nas quatro primeiras partidas, três empates e uma derrota, o colocaram em uma situação muito delicada.
O Coritiba teria que vencer seus dois últimos compromissos, contra o Remo em casa e o Ceará fora, e mesmo assim, não dependeria de suas próprias forças. Pois teria que torcer para que o Remo não vencesse o Mogi Mirim em Belém. Boa parte da imprensa esportiva da cidade e da torcida mostravam-se incrédulas com a possibilidade de classificação e a continuidade do sonho do acesso à série A.
Desse modo, no dia 15/11/1995, o Coritiba iria jogar suas últimas fichas contra o Remo, sob comando de Dirceu Kruger, já que antes da partida, Paulo César Carpeggiani fora demitido. Também jogaria com o desfalque do zagueiro Zambiazi, importante referência da defesa Coxa, expulso na partida anterior. Seu substituto seria Emerson Castro. Só a vitória interessava.
A partida ocorreu com o campo bastante encharcado, em virtude de uma forte chuva, que se iniciou pouco tempo antes da partida. O Coritiba entrou em campo com Renato, Marcos Teixeira, Emerson Castro, Gralak, Márcio Batatinha (Dirceu), Claudiomiro, Marquinhos Ferreira, Ademir Alcântara (Vital), Alex, Jetson e Pachequinho (Vilmar).
A partida foi bastante complicada e o Coritiba conseguiu abrir o placar somente aos 26 minutos do segundo tempo, em falta lateral cobrada por Alex, com a bola sendo desviada de cabeça no caminho e concluída por Emerson Castro, tocando no travessão antes de chegar às redes azulinas e renovar as esperanças dos 5.951 torcedores que acreditaram e foram apoiar a equipe. Dez minutos depois, Vilmar ampliou na saída do goleiro, mesmo após tropeçar e cair, ao receber um lançamento da defesa, desviado de cabeça por Vital, e sacramentou a vitória coxa-branca, o que permitiu ao Coritiba ir para a última rodada com chances de classificação, o que acabou se efetivando.
Seguramente, este foi o confronto mais importante de todos que o Coritiba teve com o Remo, pois foi fundamental para manter vivas as possibilidades de retorno à série A na temporada seguinte.
O gol de Emerson Castro foi o único em sua passagem pelo clube, mas foi decisivo.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)