
FALA, COXAnauta!
28 de agosto de 2008
Hoje é um dia especial para mim, coxa-branca de alma e coração. Há exatamente 40 anos, numa noite de quarta-feira, vi, pela primeira vez, o Glorioso sagrar-se CAMPEÃO!
É verdade que ele já havia sido campeão outras vezes desde que tinha vindo ao mundo, inclusive no ano em que nasci: 1954. Porém, desde o momento em que meu saudoso padrinho, Ewerton Ramos, começou e levar-me aos estádios, era a primeira conquista assistida ao vivo e em cores. E justamente em cima do arqui-rival, aquele time lá do fim da rua no Água Verde, que no ano anterior havia caído para a segunda divisão paranaense depois de ter tomado um 5 a 0 dos coxas, e que a Diretoria do Glorioso, num gesto de solidariedade, havia liderado um movimento para mantê-lo na primeira divisão, com êxito.
Mas aquela noite de 28 de agosto de 1968 foi inesquecível! Primeiro porque tive que inventar uma desculpa para faltar as aulas, porque meus pais nunca foram afeitos ao futebol. Segundo, porque, depois de uma vitória por 2 a 1 no então Belfort Duarte no domingo, sabíamos que teríamos que vencer um time muito bom montado após o fiasco do ano anterior, que tinha em suas fileiras jogadores experientes, como Djalma Santos, Bellini, Dorval, Milton Dias, e o futuro coxa-branca Zé Roberto, que jogava muito.
E levamos o 1 a 0!
E sofríamos!
Mas o time de guerreiros que envergava o manto sagrado nunca desistiu!
E no último minuto, falta próxima da área, ali no Estádio Durival de Brito, do então time boca-negra, único estádio na época com iluminação noturna em Curitiba (o atual Couto Pereira ainda estava em construção).
O juiz era o Arnaldo César Coelho, hoje comentarista da Globo.
Não lembro quem bateu, mas lembro muito bem da cabeçada certeira do Paulo Vecchio, gigante coxa-branca, que saltou mais alto que o famoso Bellini e guardou a bola branca na rede adversária.
Uma explosão de alegria e uma dúvida: por que o juiz saiu correndo para o vestiário? Encerrou o jogo antes ou depois do gol? Dúvida sanada: o jogo foi encerrado com o gol. Só festa na cidade!
Depois de 9 anos o Coxa voltava a ser campeão estadual e pela primeira vez com o campeonato unificado no estado.
Início de um reinado absoluto de 12 anos, só quebrado em 1970 e 1977 mais por descuidos do que por méritos dos adversários.
Início de uma paixão eterna, já devidamente repassada para filhos e netos.
Fernando Leocadio Pianaro é Coxa-Branca de coração.
Nota: A opinião do autor não representa necessariamente a opinião da equipe de administradores do site COXAnautas, que apenas cede o espaço à publicação.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)