
FALA, COXAnauta!
A fraude e seus efeitos
De repente Felipe, uma belíssima e nova revelação do Coritiba, e num momento nítidamente crítico da partida, dada a pressão que o Grêmio impunha ao nosso time, prostra-se no interior de nossa área. Fica ali, jogado ao gramado, mostrando ter sido vítima de uma agressão violenta e por conta do que, preocupantemente, estava a merecer atendimento imediato. Dispensa, entretanto a maca, sai de campo andando, dá meia volta no campo e posta-se na lateral aguardando autorização para integrar-se ao jogo. Nesse meio tempo o Grêmio bate o escanteio e o resultado todos sabemos. Gol.
Então fico me perguntando: que contusão foi essa que, com a tal "água benta" e em questão de minutos o jogador volta a estar em condições normais de jogo? Eu só tenho uma resposta. A contusão não ocorreu. O jogador procurou enganar o juiz e não conseguiu; procurou enganar os médicos e também não conseguiu; procurou enganar aquela imensa nação, mas também não conseguiu. A essa conduta também só tenho um nome: fraude. E como todo ato que se pratica produz um efeito, esse também produziu. A mentira do jogador importou no gol do adversário e, por fim, na nossa derrota.
Não posso me conformar com essas atitudes, até porque não são raras, ao contrário, são normais e corriqueiras no cotidiano do nosso futebol e, o que é pior, são vistas absurdamente também como normais. Nem mesmo a imprensa se preocupa em combater essas ações. Contenta-se, apenas, em comentar que, durante a falta do jogador em campo, o gol aconteceu, quando deveria, a bem da verdade e da boa e mais correta informação, mostrar ao público que a causa primária do gol sofrido foi o simulacro cometido pelo jogador e foi, enfim, a irresponsabilidade do jogador para com o time todo o que causou o gol sofrido. Atitudes como essas, tão banais em jogadores brasileiros, devem ser combatidas, repelidas e denunciadas, de modo que, ao menos, seus autores envergonhem-se delas.
Mas vou ainda mais além. Penso mesmo que as diretorias dos clubes deveriam, em palestras aos seus atletas, advertir que a simulação de contusões, especialmente dessas cometidas pelo Felipe (que não foi a primeira a ocorrer com o Coritiba, pois rodadas antes já tomamos gol por esse mesmo motivo), quando em poucos minutos o jogador, por um passe de mágica, já está curado e pronto para voltar ao gramado, serão consideradas como ato desidioso do jogador e, por isso, passível de punição funcional. Esses poucos minutos de mentira custaram, de novo, nossa derrota. Ela poderia ter vindo, mas de outra maneira e não por ato de irresponsabilidade de nosso próprio jogador. Raça e coragem (que é o mínimo que todos podemos exigir) não são compatíveis com esse comportamento mentiroso, falso e, na verdade, acovardado. Reconheço aí uma postura também cultural, mas nem por isso deve ser desculpada.
José Hipólito Xavier da Silva, um torcedor Coxa-Branca.
Nota: A opinião do autor não representa necessariamente a opinião da equipe de administradores do site COXAnautas, que apenas cede o espaço à publicação.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)