
Fala COXAnauta!
Por Mauricio Dobjanski
Falar da dimensão futebolística de Alex, com tudo que já foi comentado por aí, é “chover no molhado”.
Quem viu este atleta iniciando e depois evoluindo em sua carreira pode ser considerado um privilegiado. Foi genial em campo e mesmo estando próximo dos quarenta anos de idade, ainda desenvolvia sua atividade satisfatoriamente.
Porém, as dores físicas e também alguns desgastes decorrentes do mundo da bola acabaram fazendo com que este determinasse a sua aposentadoria. E, neste caso, Deus foi justo com ele ao proporcionar um último jogo numa bela tarde de sol e céu azul (coisas que só um estádio descoberto permite) e com uma linda torcida ao seu lado, como recompensa.
Quanto ao jogo pouco a falar, pois ele não está em questão; se tornou até imprevisível no final. Nossa torcida, na maior parte do tempo, apresentou-se um tanto quanto amortecida e pouco festiva. Algo explicável pelo fato de que, de repente, parecemos ficar um tanto quanto “órfãos” dentro das quatro linhas pela ausência de nossa principal figura.
Não gosto de usar a palavra ídolo para sintetizar um atleta, por melhor que ele seja. Para falar de alguém como Alex, prefiro utilizar o termo referência. Infelizmente os tais “ídolos” que o futebol produz no Brasil são, em grande parte, mercadorias espalhafatosas e que muitas vezes só servirão como referências dentro de campo. São eles os Imperadores, os Fabulosos, os Animais...
Agora, olhando para o nosso quintal, num certo dia alguém criou a denominação “Menino de Ouro” em alusão ao Alex. Nunca um apelido foi tão bem empregado como no caso deste atleta. E, a partir de agora, excluo aquilo que o caracterizou como atleta e enfoco o ser humano. Quando alguém fizer referência ao “Menino de Ouro”, com certeza não estará sintetizando o jogador; simplesmente porque o homem em questão esteve acima de certas futilidades que envolvem o futebol: fama barata, dinheiro, ostentação, mídia.
Por sua vez, seu comportamento exemplar dentro de campo, por incrível que pareça, nem sempre comoveu a certos profissionais do futebol. Porém, suas atitudes mostraram que os valores do caráter estão muito acima de qualquer cifra ou fama. Para exemplificar isto, ontem poderia citar qualquer lance de sua despedida como bonito, comovente, enquanto estava dentro do Couto Pereira, dentro da atmosfera do jogo.
Porém, a imagem mais contundente aos meus olhos, foi posterior: a de um estádio vazio, sem festas ou holofotes, imprensa ou coisas do gênero, onde apenas o pai Alex falava com seu filho no centro do gramado. Um dia nos disseram “que as nuvens não são de algodão”... O que podia parecer o menor dos momentos e fugiu totalmente da esfera do futebol, se tornou algo emblemático, simbólico, principalmente engrandecedor. Acho que a palavra que melhor define aquele momento é Emocionante. Obrigado ao verdadeiro “ÍDOLO”.
Mauricio Dobjanski é Coxa-Branca de coração.
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