
FALA, COXAnauta!
A outra chance
Acompanho o Glorioso Coritiba Foot Ball Club há pelo menos 30 anos.
No meio deste tempo de arquibancada, vi ao vivo, sofrendo, gritando e muito feliz, nosso Coxa ser Campeão Brasileiro no Maracanã com quase 100 mil pessoas. A grande maioria destas torcendo para o Bangu, um time que naquela época foi adotado pelos torcedores do Rio e para quem não lembra (ou não era nascido) tinha um time fantástico, que jogava um futebol de primeira linha e que tinha pelo menos dois ou três jogadores acima da média.
Este time do Bangu me fez lembrar o Coxa de sexta. Ninguém tinha dúvidas que aquele time iria ganhar o título. Ninguém tinha dúvidas de que com um futebol envolvente que eliminara em sua campanha vários dos tais “grandes” do brasileiro, que havia chamado a atenção da mídia para si e, como a mídia carioca adora fazer, já tinha o título de antemão.
Porém, e sempre existirá um porém, do outro lado existia um time focado, obstinado, que também tinha eliminado alguns dos “grandes”, mas não contava com o apoio e o destaque da mídia. Este outro time se manteve longe da festa que a torcida fazia em sua cidade, pois tinha garantido uma vaga na Libertadores, coisa inédita até então. O que aconteceu todo mundo sabe. Quem fez festa antes, chorou depois. Quem manteve os pés no chão, quem não largou seu objetivo, ganhou.
Fico imaginando estar do outro lado do balcão e tento me imaginar como um torcedor do Bangu. O que deu errado? Não tinha como perder. Que azar! Se tivéssemos outra chance ganharíamos! Mas o Bangu não teve outra chance. Ficou para sempre a imagem de poder ter sido e não foi. A estrela na camisa, a faixa de campeão estavam conosco.
Na última sexta, éramos nós a fazer a festa antecipada. Não importa o tipo de campeonato. Ser campeão é bom demais e ninguém duvida disso. Passamos os três dias que antecederam o jogo após a vitória contra a Portuguesa só pensando em como seria a volta olímpica, em como e onde seria a comemoração, de que forma iríamos tripudiar nossos inimigos íntimos. Festa, festa e mais festa. O que poderia dar errado? Nada. Seria entrar em campo, ganhar o jogo e partir pro abraço....
Quem fez festa antes chorou.
A diferença de 1985 para 2007 é a outra chance. Quero repetir que não importa que campeonato é esse, quero repetir que ser campeão é bom e todo mundo gosta. Não importa se de torneio de truco ou da maldita série B.
Nosso Coxa tem esta chance e não a perderá. A última imagem de 2007 não será nossa cara de frustração, não serão as imagens da violência após o jogo.
A última imagem de 2007 será a do nosso sorriso. Com faixa de campeão. Com troféu na galeria. E com, sim senhor, carreta do aeroporto para nossa casa. Com festa, paz e a sensação definitiva do dever cumprido.
Nós merecemos isso.
Daude Estevão Ribeiro é Coxa-Branca de coração.
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Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)