
FALA, COXAnauta!
Estamos ouvindo, nos últimos dias, afirmações vindas de alguns integrantes da torcida atleticana e até da própria imprensa, onde se reclama da falta de união entre os principais clubes do Estado, no sentido de fortalecermos o futebol paranaense.
Começo afirmando que a Federação Paranaense de Futebol deveria ser a responsável por manter a unidade entre os federados, mas, acaba fazendo um papel inverso ao observarmos todos os desmembramentos. Não é mediadora, joga conforme seus interesses pessoais e agora quer impor-se de maneira ditatorial. Tudo isso em função da necessidade de empréstimo do Couto Pereira, para que o Clube Atlético Paranaense possa mandar seus jogos dentro da Capital e atenda os anseios de seus quase 18 mil sócios, de forma que não precisem deslocar-se para outras praças esportivas, evitando assim, uma redução no quadro associativo deste e não redundando, portanto, em prejuízos. Na teoria, tudo muito bonito, apesar de muitos torcedores rivais desdenharem do grande patrimônio do Coritiba; mas, seria tudo em prol do nosso futebol.
Quando lemos o título acima e vemos a expressão "via de mão única", trazemos a tona o quanto um afiliado obtém vantagens e outros apenas servem como trampolim. Quem reclama, provavelmente, não conhece a história da maneira devida. A via de mão dupla indica um caminho simbiótico, situação em que duas partes acabam tendo benefícios ao final, em uma relação de troca. No caso do futebol local, apenas uma das partes leva vantagem, por uma série de situações conhecidas. Querem alguns exemplos de décadas passadas? Lembro quando os cronistas mais antigos nos traziam a história do rebaixamento do CAP, em 1967, e a forma como o Coritiba bateu o pé, exigindo a presença deste Clube na primeira divisão do ano seguinte. A queda do CAP para a segundona do paranaense não significava um simples rebaixamento: estava em jogo o prestígio, os acessos aos torneios nacionais, como o "Robertão", a evasão de bons jogadores e a diminuição de "bilheteria".
E ao Coritiba, qual seria a vantagem em defender o CAP? Talvez, a ausência da bilheteria do AtleTiba e só!!! Na verdade, esta postura de tratar o Clube Atlético Paranaense como coirmão, a ponto de sair em sua defesa, ficou marcada nas palavras do Presidente Evangelino da Costa Neves, sempre cordial, mostrando também a independência do Clube em suas idéias, mesmo sabendo que a presença deles dificultaria nossa vida numa briga direta por um título, no ano seguinte. Qual foi o resultado disto? Um AtleTiba épico, apitado por Arnaldo Cesar Coelho, com o empate de Paulo Vecchio aos 45 do segundo tempo. Com a intervenção do Coritiba e o não rebaixamento atleticano, obviamente, tornou-se mais fácil a própria montagem de um grande time por parte do pessoal da Baixada, com Djalma Santos, Beline, Zé Roberto para a disputa daquele estadual e do torneio nacional, uma verdadeira "SeleCAP".
O Coritiba agiu como grande e mostrou-se predisposto em várias outras oportunidades. Lembram-se do maior público do Couto Pereira? Ocorreu no jogo entre Atlético/PR e Flamengo, com quase 67 mil pessoas; uma semifinal única, emblemática para o CAP, por todas as circunstâncias envolvidas. O confronto foi contra o time que, naquele momento, era campeão carioca, campeão brasileiro, campeão da libertadores e campeão do mundo (o Rubro-Negro a ser imitado), num belo domingo ensolarado de 1983; podemos comparar esta situação com a do Coxa, na semifinal do brasileiro de 1980, numa quarta-feira a noite, com frio, onde, mesmo assim, 60 mil pessoas foram ver o Coxa (três anos antes, o Flamengo não era tão famoso). Apesar dos Atleticanos usarem isto como munição em termos de torcida (mesmo sabendo que grande parte do público de 1983 não era composto de atleticanos e que foi colocado uma carga excessiva de ingressos), observamos novamente o Coritiba sendo coadjuvante na história, em benefício do CAP. O empréstimo do Couto serviu não só aos Rubro-Negros. O Paraná Clube também teve grandes públicos em jogos em que era exclusivo na série A, chegando a colocar 40, 50 mil torcedores contra grandes times paulistas.
Querem outro exemplo de como os benefícios só encontram uma direção? Vejam como foi tratada a questão da reconstrução do Novo Couto Pereira, há uns três anos atrás. Ao Coritiba, não foi permitido deslanchar seu projeto, através de parceria privada, que redundaria em um novo estádio; dizem os "entendidos" que o problema encontrava-se na composição do projeto, sem casamento com o Plano Diretor do município por conta da proposta de um centro comercial... Mas, quando se tratou do Joaquim Américo, até o uso de dinheiro público tornou-se viável. Ou seja, readaptar o plano diretor para atender o Coxa é mais "caro" do que emprestar dinheiro para o CAP?
Agora, observamos um novo pedido de empréstimo do Alto da Glória, mas, com a ausência de conversa entre a parte interessada e o proprietário do campo; ou seja, pelo que entendemos a diretoria do CAP não teve a devida coragem (ou ética) de procurar o Coritiba e expor sua situação para que, em seguida, o dono do imóvel verificasse se existia viabilidade...
Para concluir, alguns esperam outra postura para o engrandecimento do nosso futebol; porém, esquecem que o Coritiba sempre foi o primeiro a ter predisposição em atender demandas que não eram suas. Obviamente, não conheço a fundo os bastidores de todos os fatos, todavia, é inegável que não devemos favor para nenhuma instituição; pelo contrário, já brigamos muito por elas, pouco agradecidas por sinal.
Maurício Dobjanski é Coxa-Branca de coração.
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