
FALA, COXAnauta!
A década de 90, principalmente em sua primeira metade, não foi uma época de boas lembranças para a torcida Coxa. Tudo começou com um grande equívoco ocorrido em 1989, onde deram margem para a CBF mostrar todo o seu poder e como se faz "justiça", colocando nosso time na segundona, arbitrariamente, num ano em que fazíamos boa campanha.
A partir daí, aconteceu tudo que era possível de ruim. Começou com a perda de um título ganho, num Atletiba, com o golaço contra de Berg e uma crise sem precedentes, a partir daí.
Subiríamos para a primeirona, em Campinas, mas o trio de arbitragem não permitiu; quando subimos em Joinville, viraram a mesa e mudaram a regra.
Chegamos, finalmente, no ano de 1995, onde a maré começou a mudar.
Surgiu no Alto da Gloria, um "guri", vindo de Colombo, que já chamava a atenção, anos antes, nas categorias de base. Este era o principal jogador dos "aspirantes" do Coxa, em 1994, sendo inclusive campeão. Tratava-se de Alex, o qual desfilou o seu talento precoce, no campeonato paranaense daquele ano, onde disputamos a final frente ao Paraná e acabamos com o vice-campeonato, mesmo apresentando um melhor futebol.
Logo em seguida, começou o brasileiro da "série B", com a obrigação de subir. Passamos por todas as fases classificatórias, sendo que na penúltima, de forma emocionante. No quadrangular final nos defrontamos contra o A. Paranaense, Mogi Mirim e Central de Caruaru. Disputamos dois Atletibas, sendo que o primeiro terminou empatado em um gol, no Pinheirão.
No segundo jogo, com o Couto Pereira lotado, Alex provou de forma incontestável a sua categoria, participando decisivamente do gol de Pachequinho e deixando sua marca, num lindo arremate de fora da área, naquele incontestável 3 a 0, a terceira goleado do ano contra o time da Baixada (no site www.alex10.com.br o resultado informado é de 3 a 1, equivocadamente); uma vitória que carimbava o passaporte para a primeira divisão do ano seguinte.
Na mesma época em que já brilhava Alex, despontava outro garoto, com características que lembravam os "pontas de lança". Um jogador que muitos diziam: "este é tão bom ou melhor que o Alex". Destacou-se em categorias menores e nos juniores, foi fundamental para a conquista do paranaense do Final dos anos 90, com belas jogadas e gols. Chegara a hora de Castorzinho provar sua categoria no time de cima e como o anterior, explodir para o mundo do futebol.
As chances surgiram e foram inúmeras... Mas, infelizmente, o mesmo acabou implodindo. Chegou até a fazer algumas partidas, mas nunca deslanchou. O que podia ter acontecido? Como podem, duas promessas, seguir caminhos tão distintos?
Apesar de não termos uma explicação, acho que podemos definir da seguinte forma, em uma única palavra: objetivo. Ambos eram considerados grandes promessas, talentosos e precoces a ponto de estarem sempre acima da média nas categoria que disputavam. Mas na hora de definir qual seria o rumo de suas carreiras, acredito que a cabeça de Alex foi decisiva.
Vemos muitos jogadores, talvez não tão bons como Alex e Castorzinho, que conseguem, com empenho e dedicação, desenvolver carreiras brilhantes e sendo requisitados por grandes equipes. Imaginem então, aqueles que são brilhantes e dedicados. Isto não é uma crítica.
Talvez, o objetivo de Castorzinho, não fosse chegar tão longe ou ser alguém de destaque no mundo do futebol e sim, apenas jogar despretensiosamente. Porém, só ele mesmo pode dizer. Lembro-me de um treino que acompanhei no Parque Barigui, com o elenco de juniores, no final dos anos 90.
Em meio a tantos jogadores, reconheci o "Castor", como era chamado. Ao vê-lo correr no gramado do parque, tive a impressão de que o mesmo estava "pouco dedicado". Pode ser até uma observação vaga ou não real, mas podem ter certeza que "a primeira impressão é aquela que fica". A partir daí, sempre que o mesmo entrava em campo, na equipe profissional, vinha-me a cabeça aquele treino, quase sonolento. Depois de muitas tentativas, o mesmo acabou saindo do clube, quase sem ser notado. Chegou até a vestir a camisa de nosso rival rubro-negro, mas não decolou.
Este texto podia ter como título a expressão "objetivo e dedicação" e serve de dica para qualquer jogador ou pessoa que deseje ser feliz e competente em sua função, profissão ou arte. Torna-se difícil chegar a um objetivo sem dedicação. Da mesma forma, não adianta dedicar-se, gastar energia, sem ter definido seu objetivo exato. E quando tratamos de objetivo e dedicação é necessária também, uma série de renúncias.
Por vezes, temos ao nosso alcance coisas que são até prazerosas, mas acabam por atrapalhar o foco mais importante daquele momento. Aqueles que conseguem separar cada "coisa" para o seu devido momento, acabam se destacando. É aí que surgem os campeões ou os bem sucedidos. Um pouco de sorte e orientação também são necessários, mas é o trabalho focado que fará a diferença. Se isto parecer um conselho, então vale para todos os que, por acaso, lerem esta opinião, inclusive para mim.
Abraços aos Coxanautas.
Mauricio Dobjanski é Coxa-Branca de coração.
Nota: A opinião do autor não representa necessariamente a opinião da equipe de administradores do site COXAnautas, que apenas cede o espaço à publicação.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)