
FALA, COXAnauta!
O futebol é um esporte emocionante. Porém, não é dominado por lógica ou justiça, em algumas oportunidades. Podemos perceber isto, olhando para nossa realidade, independente de algumas coisas que ouvimos.
Recentemente, lendo a coluna do Binho na Tribuna do Paraná, percebi uma de suas tentativas de distorcer a realidade, através de teorias furadas e maquiagens, mas, que vão por terra quando aprofundamos a análise.
Poderíamos chamá-lo de "Forrest Gump", graças a suas histórias (ou estórias). O mascarado falava sobre a tal supremacia atleticana, baseada no fato de estar o CAP na série A e o Coxa, na B. Primeiramente, vamos lembrar o significado de "ser" e depois o de "estar". O "ser" é um fato imutável e o "estar" é uma condição de momento.
O CAP não é um time da Série A. Apenas está, assim como o Coxa, na Série B. Falando sobre o estado atual, pode ser que muita coisa mude até o final do ano e o time ruborizado seja até o Campeão do Brasil. Mas, o que temos no momento, é uma cortina de fumaça, onde se escondem coisas que não admitimos "falar na frente das crianças ou dos inocentes".
Um dia o vento sopra a fumaça... O mundo colorido de Alice, onde somos e acontecemos é um conto de fadas e há quem nele acredite! Se tudo que leio no jornal e escuto nas redes fosse um filme, o nome deste seria "Binho no País das Maravilhas". Mas, como todo falastrão "quebra o talo" um dia, de uma hora para outra, o filme pode se tornar "Titanic", onde o que parecia imponente, inquebrável, rasga feito papel.
Dentro de campo, independente de conjecturas internas de ambos os clubes, de verbas, das dívidas, de série A ou B, poderíamos indagar a quaisquer pessoas, neutras, que observem o futebol desempenhado nos últimos anos e perguntar: qual é o clube que deveria estar integrando a primeira divisão?
Ouviríamos exatamente o contrário do que diz o Binho, na maioria das vezes. Pode usar o quanto de batom, sombra, pó, creme ou perfume quiser, mas, quem lê jornal normalmente não é criança e sabe que a "moça" em questão, não é tudo aquilo.
Não estamos pregando a superioridade. Apenas, constata-se que mesmo com os problemas internos, na realidade, o Coxa está jogando na segunda divisão por uma série de coincidências ruins e que o CAP se mantem na primeira, mesmo apresentando um baixo nível técnico nas últimas temporadas.
Comparativamente, neste período, tivemos ótimas revelações, fizemos boas apresentações, vencemos a grande maioria dos clássicos (sem deixar dúvidas), ganhamos mais títulos, chegamos mais longe na Copa do Brasil e acabamos na segundona.
O pior de tudo é que nada garante o retorno, pois, temos deficiências administrativas. Começa pela direção, passando pelo conselho, por empresários e terminando com interferências que podem desequilibrar o futebol, nas horas decisivas. Parte destas deficiências seriam corrigidas com modificações no Estatuto do Clube, como já foi dito.
Uma grande prova de que os nossos maiores problemas não estão dentro do campo é o trabalho de base que está revelando mais uma safra, graças ao empenho de profissionais conhecedores do ramo. Em quase todas as categorias, o Alviverde venceu, desmontando assim a "Teoria do Binho", um roteiro que mais parece o da "Ilha da Fantasia", pra quem lembra do seriado.
Dentro do Coritiba, maior instituição esportiva do Estado, os atletas ganham visibilidade, condicionamento, assistência médica, orientação profissional e psicológica e o seu próprio salário, quando se profissionalizam. Em contrapartida, o clube tem poucas garantias, apesar do alto investimento. Então, todo o trabalho feito para transformar meninos em jogadores de futuro torna-se desvalorizado, quando entram na jogada os intermediários, verdadeiros "Vampiros" que deviam ser contidos com uma boa legislação e fiscalização.
Não considero que os tais empresários não devam lucrar, porém, o clube deveria ser recompensado pela transformação que faz, através de parcerias mais justas. Enquanto a instituição visa conquistas, os empresários querem os lucros e esquecem da ética nos acordos. Vide o caso do jogador Ariel, onde a palavra e a assinatura de um documento não valeram nada.
Cabe ao clube resguardar-se contra estes e suas "rasteiras jurídicas", sempre orquestradas pelos advogados. Em resumo, se no campo somos superiores, fatores fora dele acabam refletindo nesta inversão de posições dentro do futebol paranaense. A resolução de alguns problemas ocorrerá através de um projeto que contemple o futuro e envolva o quadro social, além de sua imensa torcida.
A partir de um planejamento adequado, poderemos voltar a ser os primeiros, em todas as áreas do clube e depois, sonhar com algo maior. Por hora, vamos torcer e continuar lendo a coluna do Binho, para continuar dando risada, afinal, gosto de comédias... O filme ou personagem mais adequado para ele é "O Máscara", versão Poodle.
Mauricio Dobjanski é Coxa-Branca de coração.
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