
FALA, COXAnauta!
Cadê a mística Coxa-Branca?
Há três anos estou radicado na cidade catarinense de Jaraguá do Sul. Aqui me casei e tive meus dois filhos, já conhecidos na comunidade COXAnautas como os “Gêmeos do Verdão”. Mesmo a 174 km de Curitiba, minha terra natal, tenho procurado não perder contato com as coisas do meu Verdão. A ponto até, volta e meia subir a serra para assistir os jogos do Coritiba. Foi assim na partida com o Criciúma quando o time garantiu vaga para a Libertadores em 2004, na fatídica partida com o Internacional quando caímos para a Segundona mesmo vencendo e mais recentemente no jogo com o América-RN numa noite inspiradíssima do Anderson Gomes.
Ali e no jogo diante do Avaí em Florianópolis, parecia notar o retorno da velha mística Coxa-Branca. A mesma mística que me encantou aos 18 anos quando meu Verdão com um gol de Lela, nos acréscimos, venceu o Santos do goleiraço Rodolfo Rodrigues por 2 a 1, e seguiu adiante naquele já distante Campeonato Brasileiro de 1985.
Ouso dizer que nosso Glorioso não tinha um grande elenco quando conseguiu aquela que seria nossa maior conquista nos gramados brasileiros. Na opinião deste sofrido coxa, o Coritiba de 1989, que tinha Tostão, Carlos Alberto, Hélcio e o Kazu (lembram dele?), era, em muitos aspectos, melhor (assim como o time que terminou em 5º lugar no Nacional de 1998). Mas o que faz uma equipe mediana ser campeã? Para mim, se resume numa palavra: obstinação.
Quando assumiu o Coritiba em 1985, Ênio Andrade (Que Deus o tenha!) pegou uma equipe oscilante, de altos e baixos. Aos poucos, ele transformou aqueles jogadores inseguros tecnicamene num conjunto quase imbatível, obstinado. Assim como um tubarão arpoado, aquele time do Coritiba “mordia” o tempo todo, não se entregava nunca. Foi assim na partida contra o então octacampeão catarinense Joinville já válido pela segunda fase do Brasileiro de 1985.
No Ernestão, o JEC era terrivelmente perigoso. No ano anterior o time de Santa Catarina havia batido em seus domínios equipes do porte de Grêmio, Vasco e Corinthians. A base do time deles em 1985 era a mesma e o sufoco sobre os Coxas-Brancas não foi diferente. Rafael Camarota teve que fazer milagres naquele dia. O gol do Joinville parecia uma questão de tempo.
Quando tudo parecia perdido, Lela (sempre ele) fez o gol salvador, num contra-ataque mortal, que pegou de surpresa até a TV que transmitia o jogo. A emissora ainda mostrava o replay de uma defesa do Rafael quando o Careta fez o gol do Verdão.
Os jogadores alviverdes pareciam possuídos por uma força, por uma mística que os envolvia. Quando a torcida invadiu o gramado após o término da mencionada partida com o Santos me lembro que um pensamento passou de relance por minha mente: “Um time com tamanha obstinação tem tudo para chegar à final e ser campeão”.
Obstinação, meu querido Paulo Afonso Bonamigo. É o que falta para nosso time hoje. Somente com ela iremos resgatar a mística que fez do Coritiba um dos clubes mais vencedores do Brasil.
Emerson Gonçalves é jornalista, repórter esportivo do Jornal ANotícia e setorista de esportes do suplemento regional deste veículo, o ANJaraguá, além de Coxa-Branca doente, é claro.
Nota: A opinião do autor não representa necessariamente a opinião da equipe de administradores do site COXAnautas, que apenas cede o espaço à publicação.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)