
FALA, COXAnauta!
Já que estamos vivendo o limiar de mais um Campeonato Paranaense, não custa fazer a seguinte indagação:
Teremos entrega de troféu ao campeão???
A pergunta é pertinente a propósito do que aconteceu no ano passado.
Na decisão do campeonato paranaense de 2008, o Clube Atlético Paranaense impediu, como mandante do jogo, que fosse realizada a solenidade de entrega do troféu ao clube campeão: no caso o Coritiba.
Alegou para tanto, através de argumentos anêmicos e inverídicos, que não havia condições ideais de segurança para a realização da cerimônia, haja vista a temeridade de que houvesse uma revolta da torcida atleticana, o que redundaria, segundo “eles”, em perigo à integridade física dos envolvidos no espetáculo.
Por conta disso, trataram de fechar os acessos ao campo de jogo, impedindo inclusive os diretores da Federação Paranaense de Futebol de circularem por alguns setores do estádio com receio de que fosse autorizada a cerimônia de entrega do troféu.
Lamentavelmente, este escárnio aconteceu na cidade modelo de Curitiba, em pleno estádio Joaquim Américo, ou como queiram, na moderna (???) Arena da Baixada.
Fato é que, naquela ocasião, os recém empossados mandatários da Federação Paranaense de Futebol (Presidente e Diretores), foram incrível e absurdamente humilhados e desrespeitados nas suas prerrogativas de representantes da Casa Maior do Futebol Paranaense.
Feriu-se não só a dignidade dos dirigentes, mas também e, principalmente, dos torcedores do futebol do Paraná. Não se tem notícia na história recente do futebol brasileiro de episódio tão dantesco e vergonhoso.
Pessoas despreparadas e despossuídas de um mínimo de esportividade e espírito democrático, subverteram o princípio norteador do esporte que é o respeito à moralidade esportiva, e impediram que a cerimônia de entrega do troféu ao campeão da disputa fosse realizada.
Inexistiu grandeza de espírito para reconhecer a superioridade do adversário naquela competição.
Inexistiu humildade suficiente para aceitar e assimilar a derrota como um simples e continuado aprendizado para o futuro.
Inexistiu espírito esportivo por parte dos comandantes rubro-negros para demonstrar resignação com o resultado e valorização a seus comandados. Em suma, inexistiu responsabilidade social para o exercício da prática desportiva. Nunca se viu espetáculo tão deprimente, antidesportivo e imoral.
Só para citar como exemplo de esportividade, no ano passado o Fluminense perdeu uma decisão de Libertadores em pleno Maracanã lotado e não se viu nenhuma tentativa de abortar a cerimônia de entrega do troféu ao adversário vitorioso. Isto tem um nome, chama-se “civilidade”.
É por essas e outras que o Clube Atlético Paranaense é assíduo freqüentador da mídia nacional. Lamentavelmente pelos mesmos motivos: tentativa de cobrança de transmissões radiofônicas; invasão de vestiários de árbitros por dirigentes; rusgas com setores da imprensa; recusa de transmissões de jogos pela TV local, humilhação da torcida (falaciosos), envolvimento com escândalos de arbitragem, etc,etc,etc.
A rigor, se já não bastasse o triste espetáculo protagonizado pelos dirigentes atleticanos, vergonha maior foi o julgamento desse caso pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva –STJD no final do mês de agosto de 2008 (em grau de recurso).
Como em 1ª instância (no TJD-PR) o Atlético havia sido absolvido da maioria das acusações, recebendo apenas como punição por impedir a cerimônia de entrega do troféu uma singela multa de R$ 10.000,00 (infração ao artigo 197 do CBJD), não satisfeito e acometido de recalcitrância, o clube recorreu ao tribunal superior (STJD) e conseguiu êxito ainda maior: “uma redução de 70% no valor da multa”.
Parece brincadeira mas não é. Esta foi a “severíssima” punição imposta ao clube pela repugnante desobediência ao regulamento da competição e demais normas desportivas.
Então de agora em diante fica combinado o seguinte: todo time que se encontrar em situação similar a do Atlético, isto é, derrotado numa decisão de campeonato em sua casa, deve seguir os mesmos passos desse clube.
É muito simples a equação, não há mistério.
Deve apenas apresentar perante o TJD do Paraná os mesmos argumentos invocados pelo Atlético, isto é, que não teve competência suficiente para manter a segurança e a integridade física dos torcedores em seu estádio, alegando que sua torcida é irracional, violenta e incivilizada.
Assim, num passe de mágica, estará resolvido o imbróglio.
Também num passe de mágica rasgar-se-á mais uma vez o Estatuto do Torcedor, o Regulamento da Competição e, sobretudo, a dignidade do torcedor paranaense.
É assim que querem trazer a Copa do Mundo para cá???
Péssimo exemplo foi dado ao futebol do Paraná.
Rogério de Paula Alves é Coxa-Branca de coração.
Nota: A opinião do autor não representa necessariamente a opinião da equipe de administradores do site COXAnautas, que apenas cede o espaço à publicação.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)