
FALA, COXAnauta!
Atlético-Pr x Coritiba – 04/12/11
Jogo válido pela última rodada do Campeonato Brasileiro 2011.
Valia a vaga da Libertadores da América ao Coritiba dependendo única e exclusivamente de si, e a luta contra o rebaixamento pela equipe rubro-negra.
No primeiro tempo o que se viu foi um jogo morno, com poucas chances para cada lado em virtude do nervosismo e ansiedade que pairavam sobre ambas as equipes, resultando em um jogo truncado, com relativo domínio do clube da casa.
Na virada para o segundo tempo a noticia de que o Cruzeiro vencia o Atlético-Mg por 4 a 0 decretava o rebaixamento da equipe mandante. Só um milagre os salvaria. Um grande milagre.
Diante disso, esperava-se uma mobilização total da equipe do Coritiba no intervalo, e que uma imensa dose de otimismo percorresse o sangue de cada jogador para voltar à segunda etapa com todas as forças, afinal, os objetivos do rival já estavam praticamente descartados.
Restava apenas à equipe alviverde entrar com o coração na ponta da chuteira e dar a alma nos 45 minutos restantes e decisivos da partida para consolidar a tão sonhada conquista da vaga no torneio continental.
Era tudo ou nada.
Eram 45 minutos para afirmar e decretar mais uma vez a grandeza de um clube.
Dependíamos apenas de nós! Única e exclusivamente de nós!
Qualquer resultado que acontecesse com o soar do apito final seria entendido e aceito pela torcida com uma única condição: a de que os jogadores BATALHASSEM por essa vaga em campo, jogassem com a alma e a vontade de quem ama o escudo que está defendendo.
Mas não foi isso o que se viu. Absolutamente não.
E pior, o que se observou foi um Atlético-Pr extremamente motivado, o qual parecia ser ele o clube em busca da vaga, como se nem imaginasse que naquele mesmo momento um dos clubes com o qual disputava a fuga goleava seu adversário e tirava quaisquer esperanças da equipe de escapar da degola. Aquela sim, a que o nosso rival apresentava, era a atitude esperada pela torcida alviverde para o seu time.
E um Coritiba apático, sem raça, sem vontade de jogar, como se fosse um clube sem quaisquer aspirações no campeonato.
Me desculpem senhores representantes do Coritiba, mas isso é INACEITÁVEL. A nação alviverde, fiel e comprometida ao clube, EXIGE e MERECE explicações e respeito.
Talvez, nós torcedores, nos iludimos. Sabemos, no fundo, que o futebol é um GRANDE NEGÓCIO- e quem sabe nem imaginamos todas as ‘’sujeiras’’ que isso traz consigo. Mas não queremos pensar nisso. Sabemos que dando sentido a essa realidade, perdemos a magia de torcer. Perdemos a magia de muitas vezes sacrificar as nossas vidas por nossos clubes. Por isso, fechamos nossos olhos a esse fato e continuamos, inocentes e hipnotizados, torcendo como loucos.
Mas também não somos tontos. Não somos ingênuos. Aquilo que se viu, desculpem as palavras, foi uma falta de respeito e consideração com um dos maiores bens do clube- a torcida.
Como vocês esperam que os sócios- imprescindíveis ao clube -continuem fiéis e invariáveis ao pagamento de suas mensalidades se temos a sensação de que não estamos sendo tratados à altura de nossos esforços em um dos jogos mais importantes do ano?
Era a chance de mais uma grandiosa e significativa afirmação do Coritiba no Paraná e no Brasil. No Paraná consolidando a sua superioridade sobre o rival, e no Brasil fechando o ano como o clube ‘’sensação’’, como o clube ‘’surpreendente’’, vide todas as conquistas, quebra de recordes obtidas ao longo do ano. Como o clube que literalmente, como intitulou René Simões em seu livro, ‘’foi do caos ao topo’’.
Infelizmente, não foi o que aconteceu.
Mais uma vez a imagem que fica é: “Quase.....! Quase conseguimos....! Foi por pouco...”
Mas, no final, o fato é que não, mais uma vez NÃO conseguimos.
Não queremos ser rotulados como o time do ‘’quase’’. Como torcedores, sonhamos em um dia vermos nosso clube no máximo que um clube de futebol pode atingir.
Por isso cobramos, exigimos, e fazemos a nossa parte como torcedores: torcemos e apoiamos até o apito final. Mas não de olhos fechados. Estamos atentos ao comportamento da equipe em campo. Estamos de olho no comprometimento dos jogadores em cada jogo.
E nos sentimos no direito, e se realmente queremos a melhora do nosso clube, até no dever de exigir respostas e expor as nossas insatisfações. Assim como fazemos nos momentos de alegria, quando expomos a nossas felicidades e satisfações.
A verdade é que, sim, o Coritiba fez uma campanha excepcional no ano de 2011. Deu muitas alegrias à sua imensa torcida. Mas no último jogo, no último suspiro, na sua grande chance, deixou uma impressão de falta de paixão, de ausência daquele sentimento que faz cada um bater forte no peito e gritar: “É agora!! Vou dar a minha vida por esse jogo!!!”.
Me desculpem mas eu, assim como milhares de coxa-brancas imagino, ainda não engoli esse resultado. Não da maneira como foi.
André Ehler Schmidt é Coxa-Branca de coração.
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