
FALA, COXAnauta!
Dia 27, quarta-feira, o Coritiba enfrentará o Internacional em Porto Alegre, na partida mais importante do ano – quem sabe dos últimos anos – até aqui.
Os colorados estão esbanjando uma confiança extraordinária, já projetando se farão a final com o Corinthians ou o Vasco, uma vez que os meios de comunicação daqui, e até do centro do país, afirmam que se trata de um dos melhores, senão o melhor time do momento, ao tempo em que, pela mesma ótica, o Coritiba seria um time apenas mediano. É o que mais leio e ouço, seja nos meios de comunicação ou seja entre meus amigos.
Sem dúvida o histórico atual do Internacional e do Coritiba apresenta sensível diferença em favor daquele e os comentários não são injustificados. Nos últimos anos o Internacional conseguiu se reerguer em face do eterno rival, o Grêmio, superando-o significativamente, enquanto o Coritiba vem alternando sucessos e insucessos, não retomando a senda de glórias que já viveu.
Todavia, nem sempre a lógica e o favoritismo prevalecem no futebol, estando a história cheia de exemplos em contrário.
Alguém ousaria contrariar o consenso de que em 1950 a seleção brasileira era muito superior à do Uruguai? Seria imaginável o Criciúma derrotar o Grêmio campeão do mundo em 1991 e se sagrar campeão da Copa do Brasil? Foi previsível a derrota desta semana do Boca Juniores em Buenos Aires?
Qual o fator que derrubou esses favoritismos?
Fundamentalmente um: a superação. Repito, fundamentalmente, mas não tão somente.
É claro que só superação, sem jogadores razoavelmente capazes e esquema tático mínimo é insuficiente. Há que jogar algum futebol, pois do contrário bastaria escolher onze dedicados torcedores, jovens e bem preparados fisicamente, e aqueles que tivessem mais saúde e paixão venceriam.
E o Coritiba tem esse futebol? Sem dúvida. Em que pese algumas desanimadas apresentações, nossos jogadores – salvo uma ou outra exceção - têm qualidade suficiente para figurar em qualquer equipe da primeira divisão brasileira, alguns inclusive com destaque.
E apresenta a equipe organização razoável? Também sem dúvida, ainda mais se nosso técnico se cercar do aconselhamento dos mesmos que o assessoraram no último atletiba. René é um extraordinário motivador e condutor de homens e melhor do que ninguém sabe que nenhum líder alcança sucesso sem a participação de auxiliares.
Então, vamos nos superar, atuando cada jogador com consciência de suas limitações ao tempo em que cientes de que do outro lado estarão homens iguais a eles e que podem ser derrotados, seja qual for o conceito de que desfrutam na mídia. Dedicação, garra, entusiasmo, sem jamais se entregar. Qualquer gol que obtenham ou que evitem poderá ser decisivo. Um mínimo detalhe pode ser fundamental para a classificação. Do apito inicial ao último segundo atenção, concentração, força e determinação que o bom futebol virá naturalmente.
E saibam os atletas que embora o estádio possa se mostrar tomado por colorados, lá em canto, em uma das piores posições das arquibancadas, estarão centenas de bravos coritibanos, poucos aqui residentes e muitos que para cá virão, que embora exijam tal doação o fazem porque confiam que eles são capazes. Estarão eles gritando e incentivando com tanta força que no mar de gritos colorados os jogadores do Coritiba certamente conseguirão captar as vozes dos coxas-brancas e com elas adquirir forças para o sucesso. Se em algum momento as forças parecerem faltar, olhem para aquele cantinho da arquibancada e absorvam a força que virá de lá.
Bem vindo a Porto Alegre, Coritiba F.C.! Bem vindos a Porto Alegre, torcedores coxas-brancas. Que a estadia de todos seja a mais feliz possível e que voltem para Curitiba com orgulho e certeza de que fizeram uma parte da história do nosso centenário.
Benedito Felipe Rauen Filho é Coxa-Branca de coração e Cônsul do Coritiba em Porto Alegre.
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