
Fala COXAnauta!
Por Elmo Z. Bastos
Acompanho os jogos do Coritiba no Couto Pereira desde 73 ou 74 por aí.... Faz tanto tempo que nem me recordo qual foi o primeiro jogo que assisti. Só me recordo vagamente que jogavam Zé Roberto, Paquito, Abatia entre outros que lembro que ficávamos tentando imitar na pelada do recreio do Colégio Bagozzi.
Acontece que em todos estes anos, o Coritiba sempre teve ótimos jogadores, oriundos das categorias de base, dentre eles cito: Dirceu, Duílio Dias, Osmarzinho, Vavá, André, Elcio, Eliseu, Reinaldo, e por último Miranda, Rafinha, Alex, Pedro Ken e muitos outros que não me recordo agora.
O que me intriga faz algum tempo é o modelo de gestão, o tipo de jogador que ingressa nas categorias de base do Coritiba. Senão vejamos: de onde saem os melhores meninos para jogar bola? Me parece obvio que saem, em sua grande maioria, de bairros pobres e por que não dizer das grandes periferias das cidades e vejo justamente o contrário acontecendo no Coritiba.
Creio que falta alguém que vá buscar, um olheiro por exemplo de onde saiu o Alex em Colombo, isso apenas como exemplo! O que observo no Coritiba são jogadores, muitos deles sem qualidade e pouco identificados com o clube, vindos de outras cidades, estados ou ainda meninos oriundos de Colégios de classe média de Curitiba, indicados por "alguém" que acabam ingressando nas categorias de base do Coritiba.
Ainda esses dias, vi um ex jogador das categorias de base do Coritiba, que inclusive jogou no time de cima algumas partidas, não vou citar o nome do mesmo , mas que acabou não dando certo como jogador de futebol. Até aí tudo bem... Acontece que o menino dirigia uma BMW, ou seja, o futebol para ele era apenas um passatempo, uma brincadeira de adolescente que acabou não dando certo, e o mesmo resolveu por seus próprios motivos parar e seguir sua vida fora do futebol.
O que quero dizer com essa história é que temos que garimpar jogadores nas periferias, nas favelas, meninos que joguem cada partida como se fossem um prato de comida. De nada adianta fazer peneirada com molecada dos colégios Bom Jesus, Santa Maria etc... É muito difícil, com raras exceções como o Kaká do São Paulo por exemplo, jogadores saírem destes lugares para serem bons jogadores de futebol.
O que vejo no Coritiba são pais com seus carrões , modelos 2014 levando seus filhos menores para jogarem no Coritiba. Isso me faz rir. Claro, o sonho é livre e não custa nada, porém sabemos que o verdadeiro craque está no menino que chega para treinar com a chuteirinha surrada embaixo do braço, depois de andar duas horas de ônibus e o final de tudo isso já sabemos qual é. Meninos pobres e sem condições acabam desistindo ou mesmo nem tendo oportunidades de treinar, enquanto que aqueles bem nutridos, com motoristas, acabam chegando muitas vezes ao time profissional, sem ter uma qualidade sequer próxima daqueles que não tiveram as mesmas chances.
Sigamos o exemplo do Santos, copiar coisas boas não é demérito algum.
Saudações e espero um ano de 2015 melhor para todos nós coxas brancas!
Elmo Z. Bastos é Coxa-Branca de alma e coração.
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Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)