
FALA, COXAnauta!
Chegou a hora da nova geração
Uso do site COXAnautas por ser ele o maior veículo de informação sobre o Coritiba Foot Ball Club. Uso do site para deixar um registro histórico sobre o conceito “A Torcida que Nunca Abandona”.
Não faço julgamentos morais, de certo ou errado, bom ou ruim, sobre o conceito “A Torcida que Nunca Abandona”. Fui parte interessada nisto e não seria ético de minha parte fazer tal julgamento.
Acredito apenas que ele foi feito e serviu para um fim: o de levar o Coritiba para a Série A novamente. Foi do tipo, “o fim justifica os meios”.
É necessário fazer uma regressão no tempo para poder contextualizar o conceito. Às vezes, dele se fala, sem saber da história completa, a história como ela é.
O conceito começava a surgir em 2005, quando o Coritiba caia pelas tabelas e dava sinais que cairia de divisão.
Foi difícil mudar uma história como a do Coritiba, já que a torcida estava acostumada com os anos dourados, a década de 70, com times técnicos, de qualidade. Perdemos esta característica com o passar dos anos. Então, por estratégia, optamos por fazer um novo modelo de Coritiba, o time da raça.
Passamos 2006 na Série B. Aprendemos muito com a formação de uma identidade de torcida. Isto serviu pra que em 2007, depois de muitas horas de conversas, avaliações, trocas de experiências, o conceito “A Torcida que Nunca Abandona” fosse colocado em prática. Era abril de 2007, numa reunião na sede da Império Alviverde. Ali o conceito ganharia vida, iria para as arquibancadas.
Até então, era uma troca de experiências e avaliações entre um grupo de torcedores. Os nominarei, por respeito aos fatos e à verdade histórica: Jango, Guaraci Mercer e Guilherme Straube. Nesta fase, o conceito foi trabalhado teoricamente.
Era necessário que ele ganhasse vida. E só através das mãos da Império isto seria possível. Falei com o Fernando Papagaio e com o Reimacler. Para o “Nunca abandona” sair do papel, a Império precisaria ‘jogar junto’, nos jogos em casa (fazendo a festa e cantando o jogo todo) e fora do Couto, seguindo o time em todos os jogos. E assim foi feito.
Era necessário agora a outra parte: o time. O conceito só funcionaria se o time fosse raçudo, nunca desistisse. E daí, a mensagem subliminar: o “Nunca Abandona”, que é uma analogia a nunca abandonar a busca pela vitória, algo que nem todo mundo abstraiu e compreendeu.
Falei com René Simões, na época treinador do Coxa. Como já tinha a guarita dos torcedores e sabia que eles manteriam a palavra deles, restava fechar o pacto com o time. Pedi a René que ele montasse um time valente, raçudo – e, notem, não era o padrão do futebol que ele adotava até então.
Ele fez uma promessa de que montaria um time de raça, mas queria o torcedor jogando junto.
Seria necessário haver este comprometimento, esta sintonia. Era como o símbolo da imortalidade, o palíndromo (*) orogoro, a cobra mordendo o próprio rabo, num círculo. Mas o início de tudo – no caso d’A Torcida que Nunca Abandona era ter um time vibrante, valente, raçudo, incansável, lutando pela vitória até o último minuto.
Para ganhar mobilização, veio a terceira etapa: operacionalidade e divulgação. Entraram neste circuito o Clube, através de Tony Sallum e Osvaldo Dietrich e a mídia, na figura de Leandro Requena.
Reparem que as festas da torcida, em 2007, não eram restritas apenas na Império. Eram feitas em todo o estádio, com todos os segmentos envolvidos participando, cada um do seu jeito. Era um jogo de xadrez, a cada partida, uma estratégia. Uma mistura de teatro, com articulações bem ensaiadas pra mobilizar o time.
Um momento marcante foi a mobilização da torcida em geral, através do site COXAnautas. Torcedores pagaram para fazer duas faixas novas, além de dez faixas verticais para o Coritiba. Era a “A Maior e Mais Fiel” e “A Torcida que Nunca Abandona”. Ali, o ápice do conceito. A torcida deixava o mundo virtual e foi a campo.
Bom, a história de 2007 fala por si só. Os compromissos firmados foram honrados. Cada um fez sua parte, e todos estão com as consciências tranqüilas.
Em relação a Império, vejo avanços, melhorias. Não suficientes pela grandiosidade da torcida Coxa, mas vejo evolução. E elas continuarão. A Império continua seguindo o time. Compromisso firmado, compromisso feito. Assim será.
Óbvio, que a torcida (como um todo, não se trata deste ou daquele grupo) não pode parar por aí. Óbvio que a torcida pode e precisa fazer mais pelo Coritiba. Evidente, inquestionável. Mas isto é um ponto bem diferente de ficar martelando que a torcida abandonou.
Acho que chegou o momento de novas lideranças fazerem a sua parte e inovarem, como um dia, uma ‘velha’ guarda o fez. Deixem o conceito que vem sendo criticado e criem algo novo. Isto servirá pelo bem do Coritiba, será importante, é uma evolução necessária.
O conceito só funcionará com um time vibrante, coisa que o Coritiba não teve nesta temporada, infelizmente. Logo, chegou a hora de alguém criar algo novo. E este novo legado ficará para a nova geração.
Alguns da ‘velha guarda’, como eu, cobram um time raçudo. Já que não o temos, algo de novo precisará surgir. Hoje, sigo meu caminho na Império Alviverde, no mundo virtual, como colunista do site da torcida. Acho que ainda tenho algo pra colaborar com eles, espero estar certo...
E que Deus ilumine os novos torcedores para que suas decisões sejam acertadas e que o Coritiba tenha mais sucesso, mais vitórias, mais títulos. A torcida merece e a ‘velha guarda’ estará torcendo pelo sucesso!
Longa vida ao Coritiba Foot Ball Club!
(*) Palíndromo
"A combinação de data e hora 20/02/2002 20:02 de trás pra frente fica 20/02/2002 20:02! É um palíndromo triplo! Palíndromos são palavras, frases ou números que têm o mesmo sentido se lidas da esquerda para a direita ou da direita para a esquerda".
Fonte Interney.net
Luiz Carlos Betenheuser Júnior é autor do Blog "A Torcida que Nunca Abandona", ex-editor do site COXAnautas e Coxa-Branca de coração.
Nota: A opinião do autor não representa necessariamente a opinião da equipe de administradores do site COXAnautas, que apenas cede o espaço à publicação.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)