
Fala COXAnauta!
Por Sergio Brandão
A coisa funciona mais ou menos assim: aprendi a gostar de futebol em casa, com meu pai que me levou ao estádio com 3 anos. Até os meus quase 30 anos, fui torcedor. De 89 até 1993, fui editor de esporte, repórter em algumas tvs e aprendi a ver esporte por outro ângulo. Descobri que esporte é diferente de futebol. Me desiludi com o futebol. Vi coisas que preferia não ter visto. Futebol é um produto muito caro e muito popular que envolve muito dinheiro e mexe demais com a paixão das pessoas. E nesta mistura, se perde nos excessos. Fiquei muito tempo sem ir a estádios, sem torcer como antes. Fiquei de longe alimentando a paixão acompanhando meu time.
Há uns anos voltei e percebi que a coisa é mais ou menos como um vício. Quando você volta não dá pra fazer mais ou menos. A gente volta “turbinado”. Mesmo sabendo dos bastidores e não querendo voltar pra valer, mas não teve jeito. Voltei a ser o sofredor de arquibancada.
Meu time não ajuda. Me maltrata. Aliás, anda maltratando todos nós, torcedores Coxa - já há algum tempo. Não sei se minha filha de 5 anos e meus sobrinhos de 4 e de 8, terão a mesma sorte que tive de ter visto futebol de verdade como o jogado nos anos 60, 70 e até quase o início de 1990. Infelizmente é assim que se forma futuros torcedores - com times vitoriosos. Foi assim comigo e com quase todos os torcedores que conheço.
Quando a gente trabalha com futebol aprende a gostar dele de outra forma. É muito diferente da paixão da arquibancada. Além de ser uma relação profissional, aprende a olhar de forma crítica, sem o coração. A coisa é meio na marra é é assim que funciona.
Com isso tudo, acabei virando uma mistura de torcedor com jornalista. Não gostei, é pior. É melhor um ou outro, mas os dois juntos, não.
Eu me viro, mas e as crianças? Me dá pena. Nem perco tempo consolando porque não resolve. Elas sofrem mesmo. O mais velho, que entende melhor é um futuro candidato a dor no peito, e deve se transformar num esbravejador de alambrado. Está sendo ensinado a gostar de futebol apanhando, e com requintes de crueldade, coisa que pra quem está lá dentro, trabalhando no futebol, não imagina. Se um dia passou por isso, já esqueceu. Hoje, trata o torcedor com um aparente respeito, mas procura manter certa distância. Trata como se fosse um bicho perigoso que não pode ser contrariado.
Oras, meus caros profissionais do futebol, nem todos são assim. Eu não sou assim. A maioria não é assim, mas gostamos do nosso clube e gostaríamos de ser respeitados por isso. Não subestimem a nossa inteligência. Provavelmente sabemos muito mais que vocês e ainda preservamos uma coisa que vocês perderam ou nunca tiveram, que é o amor pelo clube que vocês deveriam defender e mesmo assim, recebem salários absurdos. Isso precisa ser respeitado além desta conversa igual quando falam nas burras entrevistas que dão. Procurem se informar mais, leiam mais, entendam melhor as pessoas que estão fazendo a festa nas arquibancadas, leiam mais sobre o clube que estão defendendo...
Se não por nós, pelo menos em nome destas crianças que se iniciam nas arquibancadas.
Isso serve também- e quem sabe no caso do Coritiba - muito mais aos dirigentes. É que não precisamos de ninguém para nos dizer que o Coritiba foi operado no Maracanã, eliminado da Copa do Brasil por erros de arbitragem. Isso todos vimos, mas ainda assim, continuamos pagando pela nossa própria incompetência. Com um time um pouco melhor, teríamos voltado pra casa classificados.
Meus caros, não dá pra pagar o preço que estão pedindo, pelo futebol que andam jogando.
Sergio Brandão é Coxa-Branca de coração.
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Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)