
FALA, COXAnauta!
Toda vez que o Coritiba entra em campo, meu coração dispara. Toda vez que estou no Couto Pereira, uma emoção e um orgulho imenso tomam conta do meu peito. Uma mistura de expectativa, amor e torcida.
Em 1914, naquele mesmo campo, nascia meu avô, Carlos Adolfo Scheffer. Foram muitos outros Scheffer que também nasceram ali. Naquela localização era a fazenda nossa família. Minha família alemã veio ao Brasil para melhorar de vida, fugindo da possibilidade de uma grande guerra mundial que tempos depois aconteceu. Meu DNA está naquele gramado. E como se a parte genética não fosse suficiente, meu coração também está ali.
No Campeonato Brasileiro de 1985, eu ainda não estava no mundo, mas tive a minha participação na comemoração. Foi na madrugada do dia 1º de agosto que eu fui concebida. Exatamente após a conquista do time do Alto da Glória contra o Bangu.
Foi a primeira vez que o Coxa participou da minha vida que ali começava. Me formei no ritmo da conquista do Glorioso. Fui fruto dessa vitória e fui uma vitória para os meus pais que não acreditavam que eu poderia vir ao mundo. Iniciava-se ali a vida de uma coxa-branca de coração e literalmente de coxas brancas - uma mistura de alemão com dinamarquês não poderia resultar em outro tom de pele.
Não consigo me lembrar a primeira vez que estive no Couto Pereira. Mas consigo me lembrar as muitas vezes que senti a vibração da torcida, que gritei “gooool”, que chorei de alegria por uma vitória inesperada, que fechei os olhos para não ver o gol do time adversário, que me faltou voz, que jurei que os jogadores em campo escutariam minha voz enquanto opinava sobre as suas atuações e dos muitos sorrisos que o Verdão me proporcionou.
12 de outubro de 2009. Data do centenário do meu Coritiba.
Tudo que eu escrevi até agora passou como um filme em minha cabeça. Uma data mágica que não me deixava pensar na possibilidade de ver o meu Glorioso rebaixado e muito menos nas cenas de horror que quase dois meses depois viriam a acontecer.
O Coritiba foi injustiçado pela ação de falsos torcedores. Verdadeiros vândalos. Criminosos que não sabem viver o futebol e entender que em um jogo é um jogo - baseia-se em técnica, sorte e no inesperado - além de que, selvageria não muda nada. Só revela o instinto primitivo do homem de tentar resolver os problemas com agressividade.
Aconteceu. Isso também não dá para mudar. Mas por que tamanha punição? Segundo o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), o clube infringiu dois artigos (213 e 211) do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). O Coritiba foi punido por unanimidade e, além da multa de R$ 610 mil, perdeu 30 mandos de campo.
O Campeonato Paranaense começou. A punição do Coxa deve ser cumprida em competições nacionais, ou seja, organizadas pela CBF. Está no inquérito. Conclui-se, então, que por direito, podemos (e devemos) jogar na nossa casa o campeonato do nosso estado. Série B e Copa do Brasil são outros quinhentos.
O Glorioso está livre para jogar no Alto da Glória o Campeonato Paranaense de 2010. Diferente de muito que ouvi por aí, não estamos sendo beneficiados pela CBF ou pela “impunidade que existe no Brasil”. Cumpriremos a nossa pena. Mas o time com 100% de aproveitamento na competição tem todo direito de dividir sua glória com os seus torcedores e amantes. E dentro de casa.
Camila Scheffer Franklin é Coxa-Branca de coração.
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Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)