
FALA, COXAnauta!
Coritiba, um dos grandes do Brasil. Será?
O assunto que pretendo abordar talvez não seja muito simpático ou a maioria da torcida Coxa pode me condenar pela minha forma de pensar. Independentemente das opiniões que, eventualmente, aparecerem aqui no rodapé, prefiro manter meu pensamento e o da maioria do Brasil com relação aos clubes de futebol do nosso estado, principalmente com relação ao Coritiba Foot Ball Club.
Passionalidade à parte, a dura realidade é a de que somos e quase sempre fomos tratados como clube de médio e/ou pequeno porte fora da região metropolitana de Curitiba. Isso mesmo! Num raio de pouco mais de 50 quilômetros, já perdemos nossa força. Damos lugar aos paulistas, cariocas, gaúchos e por aí vai.
Com uma história centenária, ainda estamos engatinhando no quesito expressão nacional. A maior prova disso é que entramos no campeonato da primeira divisão nacional pensando em nos classificar para a disputa da Taça Libertadores. Repito: pensando em classificar. Time grande deve entrar na disputa para ganhá-la.
Na estréia, uma bela “sapecada” em um dos candidatos ao título nacional. E aí vem a empolgação natural da torcida, a imprensa, ou parte dela, já começa a achar isso e aquilo. Comemoração exagerada de alguns, mais contida por parte de outros, mas o certo é que a maioria dos mais realistas não acreditava naquela vitória. Ainda mais vindo de um Campeonato Paranaense fraquíssimo, que não fizemos mais que a obrigação de conquistá-lo.
O certo é que o pensamento pequeno já começa na direção do Clube, passa pela imprensa, Federação, que nada faz, ou nada fazia, torcida mais realista, etc. Mas pergunto: é possível pensar grande diante do cenário atual, passado ou no futuro bem próximo? Os jogadores não acabam por vivenciar esse tenebroso ambiente e não vêem a hora de “picar a mula” e jogar no grande centro do futebol do País? Ganhar muito mais, ter muito mais visibilidade, jogar em clubes que tenham força política, econômica e financeira, na mídia. Alguém acredita que se o Henrique estivesse no Coritiba até a semana passada, teria sido vendido pelo mais de R$ 20 milhões ao Barcelona?
Torço pelo Coritiba desde de 1990 (o primeiro jogo que vi foi aquele Atletiba no qual ganhamos de 3x0 do nosso maior freguês, para um público de quase 60.000 pessoas no Couto Pereira) e de lá para cá não vi uma negociação feita pelo Coritiba sendo destacada na imprensa nacional. E não vi não porque sou desatualizado, mas é que realmente nada aconteceu nesse período. Alex, Rafinha, Adriano, Henrique, entre outros, foram negociados por valores simbólicos para clubes brasileiros para ganhar visibilidade, convocação para a Seleção e, muitos dólares e/ou euros.
Considerando o futebol como sendo um negócio, alguém na mais sã consciência, com a paixão deixada de lado, preferiria jogar no Coritiba a jogar no Palmeiras, São Paulo, outros menos votados e até mesmo os falidos cariocas? Quando viajo a trabalho, na medida do possível, vou a jogos na cidade em que estou e no último em que estive (Palmeiras 1x0 Portuguesa) conversei com alguns torcedores do Palmeiras e todos eles falaram que não acreditavam que o Keirrison, o Pedro Ken, o Henrique, sendo bons jogadores, continuariam jogando no time, que segundo eles, nem aparece na mídia. Exageros à parte, essa é a nossa dura realidade. Não temos “moral” nenhuma a nível nacional. Quando, esporadicamente, aparecemos na parte de cima da tabela de classificação, somos tratados como zebra.
A proximidade com o maior centro de negócios do País mais nos atrapalha do que ajuda. Vejam o exemplo do Rio Grande do Sul que, geograficamente, teria mais dificuldades que os paranaenses, mas eles não estão nem aí para paulistas ou cariocas. Montam times de qualidade muito duvidosa (vide Grêmio 2007, vice-campeão da Libertadores com quatro ex-Coxas), mas acreditam e freqüentemente disputam títulos e os ganham. Senão não são “grandes coisas”, pelo menos já levantaram títulos mundiais, Taças Libertadores, Copas do Brasil, Campeonatos Nacionais, etc. E nós (estado) com nossos dois minguados títulos nacionais, só assistimos a banda passar.
Amadorismo constante, interesses próprios, de forma quase que generalizada, não deixa o futebol paranaense crescer. Não deixa o Coritiba Foot Ball Club crescer. Os dirigentes conseguem ser tão ingênuos a ponto de expor problemas internos, de pura falta de conhecimento do que fazem, da simples negociação contratual feita pela gestão anterior. E a próxima gestão poderá acusar a atual por prováveis erros. E assim, segue a vida do torcedor alviverde. Sem nenhuma perspectiva, pelo menos para mim, para os próximos 100 anos.
Em tempo: o Carlinhos Paraíba foi um “achado” para o Coritiba. Será que ele termina o ano jogando com a camisa mais ganhadora de títulos estaduais (olha o pensamento pequeno aí) do Paraná?
Ainda: Quase todos foram contra a colocação da estrela prata na camisa em alusão à conquista do Campeonato Brasileiro da série B 2007. Acho que também sou contra. Agora, quando colocaremos a dourada pensando como relatado acima?
David de Brito é Administrador de Empresas e Coxa-Branca de coração.
Nota: A opinião do autor não representa necessariamente a opinião da equipe de administradores do site COXAnautas, que apenas cede o espaço à publicação.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)