
FALA, COXAnauta!
Tenho procurado me abster de comentar o Coritiba no campeonato paranaense, uma vez que os jogos não são transmitidos para o RGS e este ano só tive oportunidade de ir a Curitiba para assistir ao atletiba.
Mesmo assim, acompanho diariamente as notícias do clube e do futebol paranaense, lendo os jornais e sites curitibanos e ouvindo algumas rádios. Conheço parte do plantel, aquela remanescente do campeonato brasileiro do ano passado e alguns outros, assim como conheço o técnico, seja pelo seu passado no próprio Coritiba, ou seja pela sua atuação aqui no Juventude.
Com isto, atrevo-me a lançar algumas considerações após acompanhar pelo rádio a humilhante derrota para o lanterna Iraty e a praticamente certa eliminação da possibilidade de ser campeão estadual.
E tudo quase que se resume à constatação de que o Coritiba não soube dimensionar o ano do seu centenário, montando um time fraco, inferior à expectativa de sua dedicada e exigente torcida.
Manter atletas como João Henrique e Hugo, este que nem o Sertãozinho quis, contratar figuras como Vicente, Dinelson e Ramon e dar asilo a um veterano ex-jogador como Rodrigo Pontes é anunciar previamente o fracasso. Aliás, difícil encontrar no atual plantel alguém que se possa dizer diferenciado, um craque na correta acepção do termo, aquele que muda e decide uma partida. Um parêntese: Pedro Ken é uma ilusão, longe está do nível alcançado por Henrique e Keirrisson, mas isto é assunto para ser desenvolvido outra hora.
Da mesma forma, embora se saiba que sem plantel bom não há técnico que resolva, a contratação do mediano Ivo Wortmann – treinador sem nenhuma conquista em seu currículo e sem firmeza em suas convicções – deu a dimensão das pretensões do Coritiba para o ano mais importante de sua história e que em termos de relevância só será igualado daqui a outros cem anos, isto se até lá existirmos.
Mas vejo mais. Independentemente da baixa qualificação do plantel e do comando, ao que se vê o time do Coritiba não mostra comprometimento, atitude e postura de vencedor. Hoje, segundo comentários das emissoras de rádio, o time se entregou e nem ao mesmo lutou como deveria, o mínimo que se pode exigir de qualquer atleta profissional.
E isto me parece - aqui de longe, mas apoiado décadas a que acompanho o Coritiba - reflexo de uma diretoria passiva, sem carisma, desanimada e que, pela expectativa que criou ao assumir com projetos grandiloquentes, se mostra uma grande decepção. Lamento ter que fazer esta afirmação, pois é sabido que nosso presidente é um homem honrado e bem intencionado (já diz o ditado que “de boas intenções o inferno está cheio”), mas é o que sinto.
O ano do centenário se anuncia como perdido. A competição que mais estava ao nosso alcance foge e só por um milagre será alcançada. As demais – Copa do Brasil, Sulamericana e Campeonato Brasileiro – são muito mais difíceis e com o atual plantel e comando e com a passividade de todos, muito provavelmente resultarão em novos fracassos, talvez mais retumbantes.
Ainda há tempo, mas para mudar é necessária atitude, principalmente do comandante maior, assumindo a liderança do clube e alterando significativamente os rumos até aqui tomados.
Felipe Rauen é Coxa-Branca de coração e Cônsul do Coritiba em Porto Alegre.
Nota: A opinião do autor não representa necessariamente a opinião da equipe de administradores do site COXAnautas, que apenas cede o espaço à publicação.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)