
Fala COXAnauta!
Por Sergio Brandão
Acho que o que tento dizer há dias está nestas fotos. Na verdade a beleza do Couto não está na arquitetura, na imponência, na modernidade. É a história dele. Para cada canto que olho, tenho uma história para contar. Mesmo quando a capacidade era maior, a gente se pendurava nas torres de iluminação. Era o que sobrava para quem chegava tarde em dia de jogo importante. Ninguém pedia pra gente descer dali porque era perigoso.
Foram anos para a cobertura das sociais ficar pronta. Entre os andaimes, pedaços de madeira, pregos e caliças, a gente ia se ajeitando. Nada daquilo era arremessado no gramado contra alguém. No gramado, um time que merecia todo o nosso esforço. Tinha espetáculo sempre.
Tinha a Albinha Mazza, a maior Coxa-Branca que conheci. Albinha, pra quem não sabe, era uma espécie de conselheira dos jogadores. Naquela época ninguém sonhava com CT. Os treinos eram feitos no próprio estádio. A entrada era pela Mauá. Albinha plantava sua cadeira de rodas na calçada, ao lado do único portão de acesso ao vestiário e ali recebia todos os jogadores, um por um. Fosse quem fosse, ela sempre tinha uma palavrinha para cada um, mesmo nos piores momentos. Albinha era de um otimismo até irritante. Ao se referir a um momento ou uma partida ruim ela dizia: “tá ruim, mas vai melhorar”!
Foi no Couto que assisti minha primeira partida de futebol aos três anos, ainda nas arquibancadas de madeira, no colo do meu pai.
Vi Zé Roberto, Krueger, Lela, Hidalgo, Hermes, Jairo, até meu amigo Sicupira, num inesquecível Coritiba e Corinthians pelo Roberto Gomes Pedrosa. Também passou por ali a badalada seleção de 70, se preparando para o tri do México. O Santos de Pelé, Botafogo de Gerson, Jairzinho, Rivelino...
Com tudo isso, não há estádio padrão Fifa, não tem arquibancada mais importante que as do Couto. O gigante de cimento armado, como dizia Lombardi Jr, até pode ser substituído por outro mais moderno, mais confortável, mas que seja em outro lugar. Não mexam no Couto. É patrimônio tombado.
Sergio Brandão é Coxa-Branca de coração.
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Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)