
FALA, COXAnauta!
Tenho uma opinião diferente de muita gente sobre o momento do Coritiba. Trocar treinador, mandar embora jogadores, aumentar a premiação ficam em segundo plano. Neste momento, creio, o que primeiro deveria ser feito é trazer um Diretor de Futebol.
Sem perder tempo em discussões estatutárias ou de gestão organizacional, se pode ou se não pode, se o modelo atual permite ou não, à distância teorizo sobre o(s) motivo(s) que leva(m) o Coxa à atual situação.
Sem entrar no mérito de motivos ou resultados, o Coritiba não tem um Diretor de Futebol. E deveria tê-lo. Talvez aí, uma alternativa para compensar os problemas do elenco, seja por falta ou sobra de integrantes, seja pelas contusões e "contusões mal-explicadas", seja pelas mudanças de agendas motivadas por treinos ou churrascos com o grupo, seja pelos desgastes no tratamento. Seria ele quem faria esta análise, corrigindo os erros. Seria dele a análise pontual e sistêmica.
À distância, reparando só na expressão corporal de alguns jogadores dentro de campo, tenho a impressão de que algo de fora está repercutindo no elenco. O corpo fala.
Sem entender o que se passa de verdade, sem ter um porta-voz para as horas difíceis, o torcedor explode. O silêncio é cruel com a torcida. Cria dúvidas, mitos, falsas expectativas. Aumenta a margem de erro. E pior, causa um desconforto, gera a desconfiança, a incredulidade.
A aparente animosidade, fruto da pressão e das cobranças, ou da indiferença, estão sobrecarregando todos os setores do time. Jogadores que não costumavam falhar, falham; jogadores que costumam falhar, falham e continuam jogando; outros, mal escalados, ou por má fase, ou por má colocação em campo, continuam errando. Uns querendo jogar sem ganhar a posição no campo, na bola. Outros, cinicamente indiferentes aos problemas do grupo e da coletividade Coxa-Branca. Pensam em si. Falam coletivamente, mas não agem como discursam.
Tenho a impressão de que o Clube está tratando os jogadores da forma equivocada. Lógico que alguns merecem um banco, outros merecem uma dispensa ou uma multa. Mais de um. Isto é uma coisa. Totalmente diferente disto é tratar igualmente os desiguais.
Parece existir um distanciamento entre jogadores, comissão técnica, departamento de futebol e diretoria. Os assuntos até corriqueiros, mas que influenciam no rendimento de um jogador, podem não estar sendo tratados na hora, pela pessoa e na forma ideal.
Falta um elo de ligação. Falta uma pessoa tarimbada, matreira, astuta. Alguém que conheça o mundo dos jogadores. Alguém capacitado para esta função, que é basicamente entender a cabeça do jogador. Alguém que traga confiança, tranquilidade, liderança para os jogadores se expressarem, um porto seguro.
É preciso saber ouvir "o silêncio". Quando o silêncio é muito grande, quando não existe problema aparente identificável, problema há. Só não está sendo falado. Tem que saber perguntar para ouvir a resposta certa...
Não vejo no atual elenco um jogador que possa representar o grupo nos assuntos corriqueiros, do dia a dia, do pós-jogo. Sem este líder de fora das quatro linhas, e sem um Diretor de Futebol capaz de apaziguar, equilibrar sentimentos, expectativas e necessidades, o Coritiba padece, jogo após jogo.
Existem falhas graves no planejamento e isto é comprovado por resultados. Pelo menos seis deles, consecutivamente falhos. Mas agora, o tempo é curtíssimo para corrigir tudo que aconteceu de errado nos nove meses (prazo de uma gestação). Agora é hora de acertar, para sair desta e voltar à Série A. Voltaremos a estes temas, mas na seqüência, sob pena de perdemos tempo precioso agora, a hora é de trazer resultados em campo. Mas antes, precisamos ganhar pelo menos sete jogos. Sete em doze.
Trocar de técnico, demitir jogadores, reinventar o governo é o mais simples. Mas não precisamos do mais simples, não precisamos de "pão e circo". Precisamos de uma medida acertada, um tiro entre os olhos do tigre. E quem sabe um Diretor de Futebol não resolva isto?
Nesta sexta-feira conversei com o Presidente Evangelino Neves e Leopoldo Gonçalves Jr., da equipe do site COXAnautas. O Presidente falou algo muito interessante: "é difícil tratar com os jogadores. É preciso ter jeito. E é preciso saber cuidar deles, entender o que eles precisam".
Algo me diz que alguns dos problemas do elenco passam também por pequenas situações, corriqueiras até. Quem sabe tidas até como irrelevantes. Não só do aspecto profissional, da carreira de atleta, e sim, também, na condição pessoal, familiar, que refletem no emocional. Isto interfere nos rendimentos de alguns atletas, tenho a nítida impressão.
O problema vinha de algum tempo e, em Itu, extrapolou. Não foi desta sexta-feira. Vem de antes, da mini-temporada, antes dos jogos em Campinas e São Paulo.
Hoje o Coritiba está no ritmo do "cada um por si". E deste jeito, não teremos sucesso.
Luiz Carlos Betenheuser Júnior
Nota: A opinião do autor não representa necessariamente a opinião da equipe de administradores do site COXAnautas, que apenas cede o espaço à publicação.
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Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)