
FALA, COXAnauta!
Pessoal,
Quem não tiver paciência para ler textos longos, sugiro pular para o próximo post.
Quem estiver disposto, convido a ir até o fim, e que depois expusesse sua opinião (seja favorável ou contrária) para continuarmos um debate construtivo:
Tenho pensado muito sobre o que está acontecendo com o nosso clube em 2012 e o seu futuro no médio prazo, ou seja, final do Campeonato Brasileiro deste ano.
As mais perturbadoras perguntas, que ficam martelando minha cabeça, são:
O que aconteceu? Como pode um time cair tanto de produção de um ano para outro?
E as respostas mais rápidas, recorrentes e óbvias:
Nosso técnico é fraco, perdemos nossa maior fortaleza de 2011 que era o conjunto, repusemos jogadores inferiores aos que partiram, a postura contraditória de Felipe Ximenes (age diferente do que fala), a debandada de sócios, etc...
Porém, comecei a perceber que esses motivos não respondem plenamente as duas perguntas acima. Pior, tornam a análise rasa, superficial. É mais ou menos como se tivéssemos uma dor de cabeça e ficássemos falando que o problema é “a cabeça”, ou numa analogia mais extrema, é como se tivéssemos uma forte dor na mão e solução fosse amputar o braço!
Ok, mas aonde pretendo chegar com tudo isso? Quero propor algumas reflexões para você COXA-BRANCA, que assim como eu está muito preocupado:
Depois de ler inúmeros posts, blogs, textos em sites, reportagens de todos os tipos, conversar com amigos COXAS e também com alguns profissionais do clube, cheguei à conclusão de que neste ano a raiz do problema na verdade é muito mais profunda - Estamos nos distanciando da nossa identidade como instituição, estamos ignorando o DNA do Coritiba Foot Ball Club.
É algo que ocorre esporadicamente na nossa centenária história (normalmente em períodos negros como os anos 90), mas tem acontecido com uma frequência assustadoramente maior nos últimos 8 anos, mais precisamente 3 vezes (2005, 2009 e agora em 2012).
Bem, e qual é o DNA do Coritiba?
Pensem nos nossos Hinos. Todos eles (oficial, da torcida, antigos, etc). O que os permeia? Há alguma mensagem mais forte que os conecta? Sim. Raça, Força, Explode Coração, Coração Vibrar, Presente no meu Coração, Raça Verdão.
Agora pensem nos grandes ídolos Coxa-Brancas ou jogadores muito admirados pela nossa torcida:
- Dirceu Kruger (quase morreu em campo em uma dividida com o adversário);
- Reginaldo Nascimento (jogava com a cabeça enfaixada um jogo sim e outro também);
- Cléber Arado (pulou o muro da concentração do atlético-PR para jogar no Coxa);
- Zambiasi (ruim que era uma praga, mas até hoje muitos reconhecem que ele foi super importante para nosso acesso em 1995);
- Rafael Camarota (meio temperamental, mas simplesmente um goleiraço);
- Fedato (um dos melhores, se não o melhor zagueiro da nossa história, jogou mais de 10 anos no Clube e apesar da sua tranquilidade e estilo elegante, ficava “ruborizado” quando errava um lance, segundo palavras do grande Vinícius Coelho);
- Chicão e Bill (“pernas de pau”, trombadores, mas infernizavam as zagas adversárias com muita pressão. Detalhe >> Bill mudou completamente de comportamento no segundo semestre de 2011 em função da sua forte presença na vida noturna Curitibana por isso é quase como dois jogadores distintos, o Bill do primeiro semestre e o Bill do segundo semestre de 2011);
- Lela (energia para jogar e para comemorar seus gols com as famosas caretas),;
- Tcheco (chorou quando saiu do clube em 2003 e hoje se entrega muito em campo pelo Verdão);
- Rafinha e Adriano Laterais (futebol rápido e agressivo, partiam para cima dos adversários sem medo de ser feliz);
- Leandro Donizete (Leãodro Donizete).
E muitos outros que se eu continuasse daria um livro! Obviamente também temos ídolos mais refinados, cuja técnica era ou é seu
ponto mais forte (Alex, Tostão, Evair, etc), mas a grande maioria dos jogadores típicos Alvi-Verdes, são os GUERREIROS!
Assim, o Código do DNA do Coritiba só poderia ser PULSAÇÃO INTENSA!
Isso é proprietário do COXA ou é uma conclusão para todos os clubes do Sul do Brasil. Sem dúvida tem muita relação com o estilo do futebol praticado nessa região do país, mas é diferente dos principais clubes como Grêmio (UNIÃO ATÉ O FIM – muito ligado à história do clube e seu hino), Internacional (CLUBE DE TODOS – um contraponto às históricas disputas políticas e segregacionistas no RS).
Voltando ao nosso COXA, temos a tradução do nosso DNA, PULSAÇÃO INTENSA, no time de 2012?
- Rafinha, maior ídolo atualmente (habilidoso, mais também incansável marcador. As vezes até exagera e recebe cartões desnecessários);
- William (volante da nova geração, um dos poucos que ficam indignados com a postura de passividade de jogadores do elenco. Demonstra uma vontade imensa de ajudar seu clube de coração);
- Emerson (além de ser um zagueiraço artilheiros, demonstra um forte espírito competitivo e apreço pelos clubes por onde passa. Foi assim no Avaí e é da mesma forma no Coritiba);
- Pereira (apesar de lento e talvez em reta final de carreira é considerado um dos líderes nos bastidores. Aquele que orienta e dá uma puxada naqueles que fazem corpo mole);
- Gil (tem muitas limitações técnicas, mas é incansável e tem ajudado bastante neste ano).
E os outros jogadores?
Vanderlei, Jonas, Jackson, Eltinho, Lincoln, Anderson Aquino, Marcel, Renan Oliveira, Geraldo, Everton Ribeiro, Lucas Mendes, Jr. Urso, Roberto...? Será que todos têm a mesma entrega total, com PULSAÇÃO INTENSA? Creio que não!
Alguns por que estão há pouco tempo no clube e talvez não tenham ainda se identificado com a instituição (mesmo depois do famoso tour pelo museu quando chegam ao clube, para integração). Outros simplesmente não tem esse traço de personalidade. São jogadores mais “frios”, que não tem aquele esperado “sangue nos olhos” quando entram em campo (no bom sentido da palavra, quero dizer uma baita Vontade de Vencer >> para não ser mal interpretado). Ou também há aqueles que simplesmente não estão nem aí e serão assim no Coritiba, no Flamengo, no Apucarana, na pelada de fim de semana ou em qualquer outro momento da vida.
E o nosso técnico, Marcelo Oliveira? Corre sangue em suas veias? Há energia? Garra? Inconformismos com a derrota? Está alinhado ao DNA do Coritiba, PULSAÇÃO INTENSA?
E nossas diretorias nos últimos anos? Por que será que reagem somente quando caímos de divisão ou quando nosso maior rival está jogando bem? O espírito Guerreiro só aparece quando estamos na segunda divisão? Será que este espírito não deveria estar sempre presente?
Li uma reportagem sobre o Barcelona, que é o melhor time do mundo na teoria e também na prática, e me surpreendi com o fato de que a filosofia de jogo atual, tão admirada por todos, foi implantada há mais de 20 anos! Isso mesmo, 20 anos! Será que o Coritiba não deveria ter uma filosofia de jogo alinhada ao seu DNA e respeitada ano após ano, independente dos "atores momentâneos" (técnicos, jogadores, diretoria)? Será que os garotos da base não deveriam vivenciar esse espírito desde o infantil até chegarem ao profissional?
A variação da “filosofia” de jogo do nosso clube nos últimos anos tem sido brutal. De RAÇA & CONTRA-ATAQUES em 2003/2004, para PASSIVIDADE & CONFORMISMO EM 2005/2006. De 2007 com RAÇA & UNIÃO TOTAL (MASTERMIND do Renê), para um meio termo em 2008 e a mais pura falta de COMPROMETIMENTO em 2009. Em 2010 RAÇA PARA RECONSTRUÇÃO e 2011 novamente meio termo (no primeiro semestre RAÇA, no segundo semestre INCREDULIDADE, pela perda da Copa do Brasil. Não conseguimos mais retomar o mesmo nível. Em 2012 a palavra é APATIA (falta de emoção, motivação ou entusiasmo).
Depois de tanta retórica, qual é a solução? Acho que a analogia médica volta à cena:
1) Precisamos tirar o clube da crise com “remédios fortes”, que podem ser entendidos como uma cobrança muito mais franca e forte sobre todos os envolvidos (Dept. de Futebol, Comissão Técnica e Jogadores). Não somente por serem remunerados para vencer, mas principalmente para honrar a Camisa (DNA) do Coritiba.
2) Rescisões contratuais, empréstimos, vendas ou até afastamentos daqueles que não demonstram o comportamento necessário para serem profissionais Coxas também devem ser feitas rapidamente.
2) “Ações Revigorantes” com a utilização imediata de atletas da base, que amam o clube e tem o espírito GUERREIRO. Jogadores que vivem o clube. Sabem o quanto foi dolorido para todos nós cair para segunda divisão.
3) "Tratamento contínuo”, com a implementação de uma filosofia de jogo condizente com o nosso Código, ou seja PULSAÇÃO INTENSA.
O grande ponto é que tudo isso deve começar “ontem”!
Diretoria,
Por favor, não subestimem novamente nossas próprias fraquezas como foi feito em 2005 e 2009. Preservem um dos patrimônio do futebol brasileiro: CORITIBA FOOT BALL CLUB.
Emiliano Barreto é Coxa-Branca de coração.
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Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)