
FALA, COXAnauta!
Do que falar primeiro?
Não sei nem como começar o desabafo. Meu peito está tão apertado, de tristeza, de revolta, de vergonha, que fica difícil escolher qual sentimento descrever primeiro. Mas, já que comecei com a tristeza, aqui vai ela.
Sabe, quando caímos 2 anos atrás chorei muito, não dava para achar injusto. Afinal, o time teve o campeonato inteiro para não chegar “lá” mas chegou. Hoje*, chorei muito. O time teve o campeonato inteiro para subir, e subiu, parabéns, mas começou a se falar em “campeão, campeão” e, polêmicas a parte, a gente, no fundo no fundo, sempre quer ver o time da gente campeão, quer sair com honra, falaram tanto que acreditamos, e fomos lá, os 44 mil palhaços foram ao Alto da Glória para ver um circo de horrores.
Fabinho, sem comentários, não sei o que ele continua fazendo entre os 11 titulares, o cara é um câncer, erra passe, erra a bola, erra tudo, quem erra mais é o René que convoca o Fabinho. O Henrique que me desculpe, mas o Coritiba jogou melhor sem ele na terça-feira, ele não se define se é zagueiro, líbero, meia ou atacante, e confunde todo o resto do time, vira no “quê que é isso”, infelizmente tenho que dizer, melhor sem ele.
Mas vamos falar de revolta. Além de assistirmos tudo isso, impotentes sofredores, ainda vemos o Sr. Juiz perdido em campo, sem considerar faltas vergonhosas, sem dar cartão, deixando o “pau comer”, mais um personagem do grande circo de horrores. O que mais me revolta é a impotência diante dele e de bandeiras amadores. Vamos conversar, um jogo importante como esse e me trazem um árbitro de pouco tradição no futebol? O que aconteceram com árbitros mineiros, gaúchos e cariocas?
Continuando no assunto revolta, o jogo acaba, todo mundo frustrado, triste... muitas crianças que sequer viram o Coritiba ser campeão paranaense, todos lá com olhinhos brilhantes para ver o time que estão aprendendo a amar ser campeão brasileiro, e nada, bom vamos para casa, fazer o que né? Saímos do estádio e somos recebidos a bordoadas por uma polícia extremamente violenta. Bombas de gás lacrimogêneo, crianças, idosos, famílias inteiras apanhando, tentando voltar para o estádio, tentando se abrigar em qualquer lugar, quem descia a rua era avisado por quem estava subindo correndo, com os olhos injetados por causa do gás, de que a Mauá era uma praça de guerra, e que não era para ninguém descer.
Ora, não sejamos hipócritas, a confusão começou de alguém, dizem as más línguas que de uma garrafa atirada contra uma viatura, que seja, mas daí a polícia descer bordoada em todo mundo é um pouco demais. Estava com meu primo, meu irmão e meus amigos em frente a Igreja Perpétuo Socorro e um menino de 10 anos chorava inconsolável abraçado ao irmão mais velho, que nos contava como a polícia tinha agredido a criança, e um policial ali do lado ouviu a história e veio para cima da gente, querendo satisfações, ameaçando de nos prender. Estávamos conversando, civilizadamente, esperando a poeira baixar para conseguirmos chegar ao carro, estacionado numa rua de baixo, paralela à Mauá.
Um abuso, e daí eu pergunto: para quem reclamar? Não tem ninguém, eles abusam, a gente apanha, e fica por isso mesmo. O juiz é fraco, e fica por isso mesmo, o time medíocre e fica por isso mesmo.
Bom, fica faltando falar de vergonha, mas depois de relatar tudo isso, precisa explicar?
Ana Carolina de Almeida Garrett é Coxa-Branca de coração.
* Nota: texto recebido em 17/11.
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