
FALA, COXAnauta!
O amigo Rodolpho me presenteou com a foto, tirada recentemente em um churrasco realizado em Ourinhos. Rodolpho à direita, Thiago à esquerda e, no centro, o grande ídolo Tião Abatiá.
Esta foto me fez recordar o grande time do Coritiba do início da década de 70, onde Tião Abatiá e Paquito formaram a “dupla caipira” que ficou famosa em todo o Brasil (hoje se chamaria “dupla sertaneja”, que é mais chique). O apelido carinhoso foi dado pela origem dos dois jogadores, que se destacaram no time de Bandeirantes, cidade localizada no norte do Paraná.
Tião Abatiá (Sebastião Ferri) começou sua carreira em Cambará, jogou no União Bandeirantes (onde conheceu Paquito), teve uma passagem rápida no São Paulo quando foi negociado com o Coritiba, em 1971. Depois de se tornar ídolo no glorioso, passou pela Portuguesa e encerrou a carreira no Colorado.
Paquito (José Martins Manso) chegou ao Coritiba em 1969, emprestado por quatro meses pelo União Bandeirantes. Sua habilidade com a bola fez com que fosse contratado em definitivo. Quando parou de jogar Paquito foi técnico, gerente de futebol, olheiro e revelador de craques.
A dupla se completava. Paquito era um jogador técnico, habilidoso e com muita visão de jogo. Abatiá era forte, veloz, jogava com muita raça e tinha um chute muito forte. Com a dupla, o Coritiba fez uma brilhante campanha no Campeonato Brasileiro de 1971. Sob o comando do lendário técnico Tim (Elba de Pádua Lima), o Coxa venceu grandes equipes como o Atlético Mineiro (que foi o campeão com o técnico Telê Santana), o São Paulo e o poderoso Santos de Pelé (Tião Abatiá foi decisivo, marcando o gol da vitória).
Dois momentos inesquecíveis de 1971 do jogo contra a poderosa equipe do Santos:
1. O gol do Abatiá.
Num pique sensacional, Tião Abatiá passou por Ramos Delgado e Lima, zagueiros com nível de seleção, e tocou para as redes na saída do goleiro Gejas. Um gol espetacular.
2. Uma lenda sobre o técnico Tim.
Na preleção no vestiário, antes do início da partida, alguém perguntou ao Tim, como o time faria para marcar Pelé, o que era considerado uma missão impossível. Tim, com toda a sua tranquila sabedoria, respondeu: "Se não é possível marcar o Pelé vamos marcar quem passa a bola para ele".
Esta é uma singela homenagem aos dois ídolos do passado, Abatiá e Paquito, que deixaram marcas inesquecíveis na historia do Coritiba.
Luiz Eduardo Pacheco de Carvalho é Coxa-Branca de coração.
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