
FALA, COXAnauta!
É Guerra? Contra quem?
Queria falar de futebol, mas o assunto é violência.
Durante todo o Campeonato Brasileiro da Série B desse ano, a familia Coxa-Branca foi subindo o Alto da Glória semana após semana, cada vez em maior número, até culminar com os 43.649 presentes ao Couto Pereira na noite de 16 de novembro para assistir a última partida no ano do Coritiba em casa.
Antes de falar dos acontecimentos dessa noite, é preciso narrar uma "cena de cinema" ocorrida no sábado 3 de novembro.
O Coritiba iria enfrentar o Vitória na partida que assegurou a volta para a primeira divisão. Tarde de sol com 35.000 pessoas chegando ao estádio. Predominância de crianças, mulheres, familias. Por volta das 14h30, uma viatura da Rone ligou a sirene e saiu em alta velocidade pela contra-mão na rua Barão de Guaraúna, em meio a multidão que chegava ao estádio; na esquina da rua Augusto Severo, por imperícia, imprudência e prepotência do motorista, a viatura capotou. Os torcedores que assistiram a cena (eu vi tudo!) e outros que estavam por perto, se aglomeraram em volta da viatura, e não demorou a começar o coro: "Eu, eu, eu, a PM se f...!". Desse momento em diante, a PM ficou nervosa. Passaram a tratar a torcida do Coritiba como inimigos; a cavalaria em cima de pessoas que estavam indo ao estádio assistir uma partida de futebol. A coisa veio num crescente.
Nessa sexta-feira, 16 de novembro, o Couto Pereira registrou o maior público do ano no Paraná (repito: 43.649 pessoas); quando eu deixei o estádio, faltando 5 minutos para acabar o jogo, me deparei com uma praça de guerra. Uma carga de cavalaria contra meia dúzia de integrantes da torcida organizada Império Alviverde, que não tinham conseguido ingressos e acompanhavam o jogo na sede da torcida que fica no estádio. Bombas explodindo, cavalos para cima das pessoas que, como eu, saíam do estádio.
Não interessa quem provocou primeiro. A Polícia Militar do Estado do Paraná não podia ter iniciado uma batalha campal na porta do estádio minutos antes da saída de 43.649 pessoas!
Quando a multidão deixou o estádio, foi recebida por bombas de "efeito moral", cassetetes, gás de pimenta, balas de borracha, cavalos montando cavalos. Mulheres, crianças, idosos; todos tratados como se fossem membros de um exército inimigo que estava invadindo o país. Eram 43.649 cidadãos pagadores de impostos.
Não vou descrever as cenas tristes que eu vi, mas não posso deixar de afirmar a vergonha que senti de ser brasileiro, paranaense, curitibano e coritibano.
Qual a explicação que o Secretário de Segurança tem para dar? E o Governador Roberto Requião? Estamos em guerra? Contra quem? Nós mesmos?
Newton Wesley Maciel Fernandes é Coxa-Branca de coração.
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Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)