
FALA, COXAnauta!
Desde pequena aprendi a admirar o futebol. Meu pai jogou na equipe de juniores do Coritiba, e meu tio na profissional. Mas dessa fase, eu me lembro pouco. O que sei é pelos depoimentos de meu pai ou pelos recortes de jornais da época, uma época de glória, mas diferente da que vivemos hoje. Não por ser menos gloriosa, mas por ser outro futebol, outros jogadores, outra realidade. Não se podem comparar períodos tão diferentes.
Minhas raízes alviverdes se multiplicaram. Meu filho, hoje com 19 anos, não perde um jogo nas arquibancadas do Couto Pereira. Ainda em companhia do meu pai. Meu marido, por coincidência do destino, trouxe a rodo uma família toda de coxas-brancas e também uma história: um dos membros da família já tinha sido goleiro do Coritiba.
Nosso coração é verde e branco. Não há segunda divisão, derrota ou má fase que nos afastem da paixão avassaladora que sentimos por esse time. Gritamos, sorrimos, choramos com vocês. Jogamos junto, estamos ali, de dedos cruzados a cada falta que o adversário vai bater. Aos gritos a cada gol que marcamos. Rezamos junto com os que rezam. Reclamamos junto com os que reclamam. Xingamos o juiz. Somos totalmente passionais, estamos no nosso direito de torcedores.
Nos altos e baixos do futebol, acreditamos sinceramente que quem veste a camisa do Coritiba tem noção do valor que ela tem, do orgulho que cada filho dessa nação sente. Nós temos uma história memorável no cenário nacional, embora críticos, imprensa e muitos chatos de plantão tenham a ousadia de desprezar ou ignorar nossos feitos. E por isso mesmo, somos mais do que uma nação, somos heróis.
Contra o Inter, me senti orgulhosa de vocês. Ninguém se intimidou, nem pela pressão da torcida e muito menos pelo carnaval que se tem feito em torno do colorado gaúcho. Que eu saiba, o jogo só acaba quando termina e temos 90 minutos pela frente. Tempo em que honraremos a camisa que vestimos, o gramado que pisamos, a torcida que conquistamos em 100 anos de história.
Eu quero me juntar aos guerreiros alviverdes para vencer. Eu não tenho críticas negativas, não tenho reclamações nem descontentamento no coração. Eu tenho esperança, força e confiança. Eu quero abraçar o René junto com aqueles que fizerem nossos gols na próxima quarta-feira. Eu quero chorar de alegria ao concretizar nossa vitória pelo placar necessário. E acordar rouca no dia seguinte com aquele sorriso que só os vencedores experimentam.
Eu confio em cada jogador. Confio no René. E vou para o Couto Pereira jogar com vocês. E vou vencer.
Daniélle Carazzai é Coxa-Branca de coração.
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Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)