
FALA, COXAnauta!
Carta ao Coritiba
Coritiba...
Depois da queda e da revolta, ainda há grandes lembranças!
O mundo não acabou, pois que entre as ruínas
outros homens surgem, envoltos ao ódio e a súplica,
e o hálito selvagem pela vida
dilata os seus peitos, Coritiba,
seus peitos que respiram e soluçam,
enquanto outros, vingadores, se elevam e trazem a esperança.
A poesia fugiu dos livros, agora está nos jornais.
Os textos heróicos repetem Homero.
Os textos bradam um novo dia.
Que nós, na escuridão, ignorávamos.
Mas fomos encontrá-lo em ti, Clube caído,
na paz de teus novos soldados, os quais não conformados,
no teu arquejo de vida, mais forte que o estouro dos gritos,
na tua viril vontade de resistir, resistem.
Sabemos que resistem.
Que enquanto dormimos, comemos e trabalhamos, eles, lá, resistem.
Que quando abrimos o jornal pela manhã teu nome (em ouro oculto) estará firme no alto da página.
Terá custado milhares de prantos em noites e dias, mas valeu a pena.
Saber que vigias, Coritiba,
sobre nossas cabeças e nossos confusos pensamentos,
dá um enorme alento à alma desesperada
e ao coração que antes duvida.
Coritiba, miserável por sua queda, entretanto resplandecente!
As belas faces contemplam-te com orgulho e alvoroço.
Diante do teu pavoroso poder adormecido, a sua nação desperta e lhe chama.
Força que salva e resgata o seu prestígio
Junto a ti, Coritiba, as almas aprendem o gesto de luta.
Rogam pela vitória.
Coritiba, quantas esperanças!
Que flores, que cristais e músicas o teu nome nos derrama!
Que felicidade brota de tuas entranhas!
Onde antes apenas restavam escadas repletas de lágrimas.
No entanto, ouvimos pelas ruas os brados a elevarem o seu nome.
O clamor por sua volta, por seu triunfo contagiam os lugares.
Todos que antes o julgavam morto, sucumbem.
Hoje e sempre, a glória é o destino.
A vida em ti voltou a ser prodigiosa,
e pulula como corações uníssonos,
ó nosso amado Coritiba!"
(Baseado e inspirado na "Carta a Stalingrado", de Carlos Drummond de Andrade, in "A Rosa do Povo", Rio de Janeiro: Record, 1987)
Eduardo Augusto é Coxa-Branca de coração.
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Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)