
FALA, COXAnauta!
O Couto Pereira pulsa como se tivesse vida própria. Em campo adentram onze guerreiros cobertos com o sagrado manto das cores verde e branca.
Nas arquibancadas a torcida torce, pula e grita “Sai do chão ... Sai do chão...”
Os pavilhões tremulam saudando o Glorioso. Foguetes estrondam no azul do céu deixando rastros brilhantes em sua trajetória.
Corações palpitam cheios de emoção.
Cooooooxaaaaa... Coooooooxaaaa!!! Grita a galera.
Um calafrio corre o meu corpo. É a emoção do torcedor apaixonado vibrando com o seu time.
Edson Bastos, Pereira, Marcelinho Paraíba, Ariel, Leandro Donizete, Jailton, Pedro Ken...
Na minha memória surgem outros tantos craques que vi neste mesmo palco. Hamilton,Nico e Carazzai, Julinho, Bequinha e Guimarães, Chico, Miltinho, Oda, Duílio e Ronald. Foi o primeiro onze que vi jogar. Era o ano de 1959.
Meninos eu vi Tostão, Osvaldo, Rafael, Jairo, Célio, Pescuma, Claudio Marques, Krugger, Zé Roberto, Reinaldinho, Sergio Roberto, Vica, Roderlei, Piloto, Hidalgo, Hermes, Roberto Brum, Modesto, Reis e tantos outros.
Eu vi Oberdã, Kosileck, Manga, Dario, Paquito. Aladim.
Meninos eu vi Tião Abatiá driblar a defesa inteira do Atlético Mineiro. Eu vi Paulo Vecchio marcar um gol com o cocuruto no último minuto de jogo e dar mais um título para o meu Coritiba.
Meninos, eu vi também Gilberto errar um gol debaixo da trave e sair correndo para o vestiário morrendo de vergonha.
Eu vi Tuta mandando a torcida do adversário calar a boca e a torcida calada ficou.
Eu sofri e vibrei naquela noite de julho do longínquo 1985 quando Gomes marcou o pênalti que deu o primeiro título nacional para o Estado do Paraná.
Eu chorei de alegria quando o meu Coxa foi campeão. Eu chorei de tristeza quando o meu Coxa foi castigado pela madrasta CBF e caiu para a segunda divisão.
Eu tenho sangue verde. Só não vê quem é daltônico.
Que o alto de tantas glórias seja sempre iluminado. Que as cores verde e branca sempre tremulem nos mais altos estandartes. Que nos gramados do mundo onze guerreiros sempre saibam honrar a gloriosa camisa verde e branca. Que dentro do meu peito ecoe o grito de CO...XA... CO...XA... CO...XA...no ritmo de sístole e diástole do meu coração até o ultimo dia de minha vida.
E que depois do último suspiro eu veja, face a face, Evangelino, com seu sorriso maroto, entre verdes nuvens, dizendo-me: Entre. No Paraíso todos são Coxas-Brancas.
Cleomar Justiniano Gaspar é Coxa-Branca de coração.
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Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)