
FALA, COXAnauta!
Nesta semana, tive a oportunidade de ler o comentário do Eng. Florestal da empresa Grasstecno, Sr. Osmar Nechi e fiquei bastante preocupado com suas afirmações. Se o que está escrito em sua entrevista for exatamente o que ele disse, então temos um erro técnico no processo de manutenção do gramado do Couto Pereira.
Digo isto por ser um profissional da área agronômica, não sendo, portanto, leigo. Duas coisas chamaram a atenção no que foi dito pelo técnico: uma delas foi o fato do gramado ter sido molhado na noite em que o evento climático estava previsto. Não se coloca água sobre o gramado, caso exista uma previsão de baixas temperaturas, próximas ou abaixo de zero.
É muito simples: a água, em um ambiente com uma temperatura abaixo de zero, congelará, o que pode dilatar e arrebentar os tecidos das folhas da grama, como ocorreu. O gramado deveria ter sido protegido de alguma forma. É a mesma coisa que jogar gasolina pra apagar o fogo.
A própria formação do orvalho noturno seria suficiente para desenvolvimento de “geada” e a adição de água na noite anterior não ameniza o efeito ou até pior: chega a ser prejudicial caso ocorra congelamento do solo, danificando não só as folhas, mas também raízes. O uso de água, neste caso, seria justificado se ajudasse a derreter o gelo recém formado e evitasse a queima, durante o processo de formação de geada, na madrugada do evento.
Infelizmente, o técnico mostrou inexperiência ou desconhecimento na ação e nossa diretoria deveria tomar as devidas precauções, consultando outros especialistas; o inverno nem começou ainda. A segunda informação que chamou a atenção foi o técnico ter afirmado que “por antecipação do Inverno ocorreu a geada”.
Não ocorreu uma antecipação do inverno e sim uma geada durante o Outono, perfeitamente normal. No ano de 2000, por exemplo, tivemos geadas no mês de Abril. Isto é possível e, acima de tudo, previsível. Temos recursos disponíveis para antecipação de eventos climáticos, desde o Sistema Meteorológico do Paraná (SIMEPAR), o próprio Instituto Nacional de Meteorologia ou qualquer meio de informação televisiva.
O que parece ter ocorrido foi uma série de equívocos que, somados, contribuíram para a queima do gramado. Acredito que a semente da variedade de grama própria para inverno poderia ter sido plantada no final de maio, antecipando assim a brotação e o enraizamento da mesma. Assim, mesmo que a grama de verão fosse queimada, a de inverno já estaria oferecendo uma certa cobertura e evitaria aquele visual que foi para o país inteiro.
As observações relativas ao gramado tem sido feitas ao longo dos últimos meses até por pessoas de fora, como a imprensa gaúcha, por exemplo, indicando uma queda na qualidade dos serviços prestados, somados ao excesso de jogos consecutivos devido ao supermando.
Acredito que com o passar dos dias e com menor intensidade de jogos, graças a nossa saída prematura da Copa do Brasil, poderemos ter o gramado no mesmo nível do Beira-Rio, por exemplo.
Cabe a diretoria tomar as providências e ter a consciência de que estamos de olho...
Mauricio Dobjanski é Coxa-Branca de coração.
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