
FALA, COXAnauta!
O primeiro jogo do campeonato parecia pra mim o começo de um sonho.
Muita gente só pensava em escapar do rebaixamento, já que acabávamos de vir da Série B. Eu queria mais, Libertadores, pra um bom centenário.
Com o decorrer das rodadas, apesar dos pesares, eu passei a acreditar de verdade em algo mais. Aquele sonho da 1ª rodada parecia estar ao nosso alcance. Nós, time e torcida, chegamos confiantes e motivados na metade do campeonato.
Eu creio que o ápice disso ocorreu entre o jogo contra o Santos na Vila e contra o 'Xpó' aqui. Antes era apenas uma esperança abstrata e depois começamos a decair.
Aquele apoio incessante que vinha das arquibancadas no ano passado já não é o mesmo. Raramente no ano todo eu consegui sentir aquilo. Talvez no empate sem gols contra o S. Caetano, quando a torcida, aí sim, deu um espetáculo e jogou junto até o último minuto.
Em nenhum outro jogo pôde-se dizer "nossa, hoje o estádio todo cantou com a Império", "a Mauá esteve em pé o tempo todo".
Nem da arquibancada se sentiu mais a mesma vibração.
O elenco, bom, mas muito jovem e imaturo, sem nenhum jogador com experiência de 1ª divisão, tinha tudo pra embalar, mas foi afobado e tudo que pudemos fazer foi reclamar dos erros (freqüentes e gritantes, por sinal) da arbitragem. Muito da nossa decaída se deve à esse fator. Mas se não fosse a afobação e erros bobos, poderiamos estar tão bem quanto se não tivéssemos sido prejudicados pelo apito.
É nessa dificuldade e calmaria que entraria o fator extra-campo. Porém, não demos tudo o que podíamos. Nos momentos ruins, quando deveríamos ter sido o diferencial, não estávamos acreditando 100%, nos conformamos com o momento, e o desfigurado "Time d'Alma Guerreira" se somou a outra torcida, não mais a que "nunca abandona".
Depois do jogo contra o São Paulo já tinha gente pedindo pra sair. "Sulamericana é a nossa realidade". Realmente, a realidade de quem pensa como um pobre e pouco faz é a pobreza.
É claro que o time e comissão técnica têm sido fracos, que os principais culpados pela situação são eles. Mas nossa torcida tem nas mãos o poder de ser tão influente quanto um jogador.
Vejo um ótimo ano de comemorações e glória ir por água abaixo sem fazermos nada para mudar isso.
Por que somos coniventes com a situação que vivemos?
Cobramos o time, criticamos até o roupeiro. Mas será que nós estamos fazendo a nossa parte?
Seremos conformados até não termos mais chances, para depois nos arrependermos?
Por que não acreditar, encarnar o sentimento de fé e apoiar sem medo e sem vergonha até o fim, até a vaga para a Libertadores?!
Serão disputados 39 pontos. Teremos 7 jogos na nossa casa.
Se nós, juntos, quisermos de verdade, podemos levar o Coritiba pra Libertadores. Ainda podemos.
Falta mudar a mentalidade e a atitude.
Othelo Sabbag Lopes é Coxa-Branca de coração.
Nota: A opinião do autor não representa necessariamente a opinião da equipe de administradores do site COXAnautas, que apenas cede o espaço à publicação.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)