
FALA, COXAnauta!
Indo de encontro ao assunto da coluna escrita pelo meu amigo Ricardo Honório, entitulada "Passional e Racional", gostaria de explanar a respeito da constante evolução que o futebol vem atravessando e do profissionalismo que o esporte exige atualmente em se tratando de montagem de elenco. Vou citar os pontos que considero crucial para o sucesso ou fracasso de uma equipe, mais especificamente em sua formação.
Sendo esses pontos: Análise do elenco atual; trabalho constante para a evolução dos atletas e necessidade de novas contratações.
Para a formação de uma equipe é necessário, em um primeiro momento, avaliar o seu atual elenco baseado em uma média de qualidade de exibição ao longo de toda uma temporada. Quanto aos jogadores que não obtiveram o rendimento esperado, é necessário identificar se houve motivos que os levaram ao mau rendimento, se está relacionado a um problema físico; clínico; emocional ou de fato não contém qualidade técnica o suficiente para o nível de futebol exigido pelo clube.
A detecção dos motivos que levaram determinados atletas a não renderem o esperado é relativamente simples, e aos olhos dos torcedores é ainda mais simples resolver a questão, pois é só "mandar tudo embora que com o dinheiro desse monte de merda contrata dois jogadores que resolvam o problema". Porém, para um gestor e comissão técnica a missão é bem mais complexa, pois após a detecção do mau rendimento é necessário avaliar se o atleta pode, com o auxílio dos profissionais do clube, superar essas dificuldades e em uma próxima temporada demonstrar seu valor. Alguns exemplos podem ser citados como influenciadores de mau rendimento como sendo de extra-campo, entre eles: a não adaptação à cidade (clima; alimentação; costumes; violência; distâncias dos familiares e amigos; moradia); passando pelas condições de trabalho no clube; emocionalmente não se sabe se tem problema conjugal; doenças ou mortes de amigos ou familiares; se os filhos se adaptaram ao colégio e, posteriormente, se esteve bem fisicamente e clinicamente para desenvolver seu trabalho de maneira plena durante a temporada e até mesmo se é da vontade do atleta em permanecer no clube.
E por que eu digo isso?! O torcedor comum não tem conhecimento do valor que essas ações agregam ao Coritiba, em prestar assistência ao ser humano que trabalha no clube. Deve-se lembrar que antes de atletas, são seres humanos. E que se existem, por exemplo, em um número hipotético dez atletas que aos olhos do torcedor não tem condições de jogar pelo Coritiba e o clube recuperar apenas quatro destes, mantendo os outros seis atletas até o término de seu contrato ou realocá-los em outro um clube que eles possam ter condições de desenvolver satisfatoriamente suas atividades, o ganho será inestimável. Tudo isso repercute positivamente em uma proporção muito grande, pois entre atletas de outras equipes já estão tomam conhecimento dessas ações, passando a olhar o nosso clube com outros olhos. Ou vocês acham que eles não conversam entre si?! Já os atletas que estão no clube, criam vínculos de amizade entre si. Ações como as que o clube vem efetivando faz como que haja um respeito dos atletas pelo Coritiba, que compram o tão falado "projeto" para si e tentem retribuir tudo o que recebem para o clube, colocando os objetivos do clube também como seus. Além de economizar recursos com rescisões de contrato, essa gestão de pessoas tem elevado o clube a outro patamar, basta analisar quantos jogadores eram contratados anualmente antes do ano de 2010 e seus resultados em campo; em como era visto o Coritiba perante aos atletas e imprensa a nível nacional, e ainda o número de ações trabalhistas recebidas pelo clube.
Quanto às contratações (sempre necessárias), essas devem visar qualificar o elenco em setores que haja deficiência, substituindo aqueles que têm seu contrato finalizado e outros que eventualmente são emprestados a outros clubes após todas as análises citadas acima. Ou ainda em caráter de urgência, adicionando atletas visando corrigir rotas ao longo do percurso (campeonato), pois erros de avaliação ocorrem no futebol e no Coritiba não é diferente. O que se busca é minimizar esses erros ao máximo possível. Contratações de Deivid; Alex; Leandro Almeida; Lincoln; Bottinelli certamente foram facilitadas por essa mudança de mentalidade inserida no Coritiba e só não são realizadas em maior escala devido a um fator limitante: o financeiro.
Mas vocês devem estar pensando: onde é que o Fabio quer chegar com última coluna de Ricardo Honório "Passional e Racional"? Com análise de elenco? Com mudança de mentalidade? Onde quero chegar é que não se deve avaliar um elenco em apenas um jogo e ainda "no calor do jogo", como cita Ricardo Honório na coluna citada. Até entendo que é doloroso pra nós torcedores absorver uma derrota para nosso maior rival nas circunstâncias em que aconteceram, porém essa análise deve ser feita ao longo de toda uma temporada. Devem-se valorizar os atletas que aqui estão, pois no patamar financeiro que o nosso Coritiba se encontra só chegaremos a tão sonhada Libertadores se a comissão técnica e a gestão do clube tiver a capacidade de resgatar e extrair o melhor futebol de, pelo menos, três atletas que hoje estão desacreditados pela torcida e pela imprensa.
Fábio Henrique Toso é Coxa-Branca de coração.
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