
FALA, COXAnauta!
'Futebol não é para covardes!'
Ao escrever essa coluna, pouco mais de 20 (vinte) horas após o medonho jogo que selou a desclassificação do Coritiba de mais uma competição fácil, tento entender a cabeça das pessoas que comandam o futebol alviverde.
Como disse no meu artigo “Cansei!” publicado no COXAnautas no dia 03/12/2007, apoiei informalmente (ligando para amigos pedindo votos) uma das chapas na eleição do Coxa. Naquele momento preferi omitir a minha predileção pela chapa do Dr. Cirino pois não queria que um assunto daquela relevância (possível interdição do estádio) fosse usado na campanha eleitoral.
Reitero o que disse naquela oportunidade: Não penso em situação ou oposição, pois sempre tive em mente que essa divisão não vale nada. O que vale é a instituição!
Pois bem, agora com a cabeça mais fria depois da desastrada atuação do nosso “time”, bem como depois de mais de 100 (cem) dias da nova administração acho relevante fazer alguns comentários.
Sei que no futebol de hoje o dinheiro é o que mais vale, Sei, também, que o orçamento anual do Coritiba é muito menor que o da maioria dos times de ponta (o orçamento deste ano do Corinthians é de aproximadamente R$ 80 milhões de reais segundo dados do site globo.com), o que, por si só, já demonstra o nosso tamanho e as dificuldades que temos que enfrentar para montarmos times pelo menos competitivos.
Ocorre, todavia, que quando temos a oportunidade de aumentar a nossa visibilidade e arrecadação tropeçamos nas nossas próprias deficiências e vemos o dinheiro escorrer pelos dedos.
Ontem foi uma noite de perdas. Perdemos a oportunidade de chegarmos as oitavas de final da competição onde iríamos encarar a temida equipe do Atlético de Goiás (sim... isso mesmo! Olha mais uma chance indo embora). Perdemos a oportunidade de mostrarmos para o Brasil que voltamos à elite com “pinta” de campeão. Afinal de contas vencer a Copa do Brasil e participar da Libertadores no ano do centenário era o objetivo. Perdemos, mais uma vez, a confiança no time. Perdemos receita (alguém dúvida que se tivéssemos ganho o Couto estaria lotado no próximo domingo?). Confesso... perdi a paciência!
Ora precisávamos ganhar do limitado time do São Caetano (Série B e 15° do Paulistão) pelo placar mínimo. Um golzinho já nos dava um alento de que poderíamos passar de fase. Mas nem isso fizemos.
Não entendo nada de futebol. Sou apenas torcedor. Não entendo de táticas, de treinamentos, do convívio com os “boleiros” e todas as peculiaridades que cercam o esporte. Contudo sei distinguir uma atitude covarde de uma arrojada. Enxergo com clareza aquele que tem espírito de vencedor e aquele que não “está nem aí”.
Com todo o respeito que tenho pelos profissionais que defendem as cores do meu time do coração ontem saí do estádio com a certeza de que tem muitas pessoas que não estão “nem aí” pro Coritiba.
Um time apático, desordenado, sem vontade de vencer! Posso até estar sendo injusto mas certamente é um dos piores que eu vi até hoje!
Dizem os entendidos que quando um time tem mais jogadores que o outro as jogadas devem ser feitas pelas pontas. Também sustentam que os laterais têm que ir próximos da linha de fundo para alçar a bola para eventuais cabeçadas. Outro ponto que sempre ouço falarem é sobre o tal passe no vazio e não só aquele de pé-em-pé.
Vamos lá, essas três simples máximas do futebol são esquecidas constantemente pelo grupo Coxa-Branca.
Sem bem me recordo, o “time” de ontem não fazia jogadas pelas laterais (acho que é por que não temos ninguém com essas características – o que estava na direita – Dick – machucou-se e foi substituído por um volante de contenção e o que estava na esquerda... bom esse deixa pra lá) tentando sempre furar a frágil defesa do São Caetano pelo meio.
Nos raros momentos que a bola chegava perto da linha lateral os nossos craques mandavam chutões da intermediária para os grandalhões da defesa do Azulão afastarem o perigo. O famoso chuveirinho na área adversária. Talvez o pessoal ainda não se conheça direito os companheiros de elenco mas para quem acompanha a um pouco mais de tempo sabe que o nosso último bom cabeceador foi o zagueiro Henrique. No ataque o último que eu lembro bem era o Magrão. Por essa razão, não entendo o porque de tantas repetições desse erro tão bobo.
O passe no “vazio” de fato requer um pouco mais de qualidade. O passador não depende só dele. É necessário que aquele que vai receber o passe também possua inteligência o bastante para perceber o espaço e receber a bola. No atual e limitado elenco não vejo muitas possibilidades disso acontecer. Ontem, por exemplo, lembro de um passe do Marlos que encontrou o Tiago Silvy no início do segundo tempo (na continuação do lance tivemos 1 dos 3 chutes que o Coxa deu no gol do adversário).
Faltou coragem para a direção nas contratações! Faltou coragem para o Técnico nas substituições. Faltou coragem para aqueles que possuem melhores condições técnicas em chamarem para si a responsabilidade resolvendo a partida.
Só não falta coragem para a torcida que continua cantando seu orgulho de ser Coxa-branca, que compra produtos oficiais e sai mostrando em todo mundo o seu amor pelo clube.
Espero que essas amargas lições que a vida nos proporciona faça com que os mandatários se encorajem e partam para a mudança definitiva do nosso time.
Ano que vem completamos 100 anos. Acho que já é tempo suficiente para decidir se continuaremos apenas sendo um time médio ou se vamos nos tornar um grande clube de futebol.
Cícero Luvizotto é Coxa-Branca de coração.
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