
FALA, COXAnauta!
Futebol ofensivo e com alegria
Apesar de ser natural de Curitiba e viver toda minha vida aqui, não nasci Coxa-Branca. Por influência do meu pai, que é vascaíno roxo, torcia pelo time carioca. Apenas em 1994 (quando tinha 15 anos), se não me falha memória, quando o Coritiba na segunda divisão enfrentava, com a narração do saudoso Lombardi Jr., o Guarani de Campinas, onde foi escandalosamente roubado. A partir daquele momento, meu coração começou a ficar verde e branco.
Depois disso, a paixão foi só aumentando, e chegou ao seu máximo em 1998. O Coritiba de Régis; Márcio Goiano, Gelson Baresi, Flávio e Rubens Júnior; Struway, Luis Carlos, Sandoval e João Santos; Macedo e Sinval, aquele time era lindo de ver em campo. No jogo contra o São Paulo, 50 mil dentro do estádio e 15 mil fora dele (cheguei 3 horas antes do jogo e só consegui sentar no terceiro anel na escadinha). O time jogava por música, não dava um chutão, e parecia ter controle dos jogos. Mesmo saindo perdendo, foi questão de tempo chegar a vitória, e depois disso veio o Evair, que, craque, parecia um bom whisky - quanto mais velho melhor. Tinha sido um grande centroavante, mas, quando jogou no Coritiba, tinha chegado ao patamar de craque - a bola chegava toda torta, mas, quando caía no pé dele, ela flutuava sobre o gramado, parecia que tudo ficava em câmera lenta, simplesmente mágico.
Contei essa história para questionar um problema não só no Coritiba, não só com René Simões, mas na grande maioria do futebol brasileiro. Não se joga mais ofensivamente. Se vocês pegarem o campeonato da Série B deste ano, verá que quase ninguém perde casa, porque todos os a adversários saem para jogar fechado e são pressionados até tomar o gol. Claro que a torcida tem influência, e por isso estamos em primeiro, mas a questão é: é melhor ver um 0x0 chorado ou um 3x3? É melhor ver um 1x0 ou um 4x3? Alguns vão dizer que jogar bonito e não ganhar não adianta nada, mas quem viu jogar o time de 98 ou o Evair lembra com mais saudade do que do time de 99 que ganhou o campeonato paranaense. Seleção de 82 ou a de 94: quem viu jogar as duas vai preferir a de 82. E lógico que o ideal é que se ganhe e se jogue bonito. Vão falar que o que importa é subir não importa como, e concordo. Mas não custa nada tentar elevar o nível do nosso futebol.
Só para dar uma cornetada, acredito que o Coritiba, tendo que jogar com 3 zagueiros, poderia jogar no 3-4-3 com Edson, Henrique, Anderson Lima, Jeci (3 zagueiros), Veiga, Douglas Silva, PK, Marlos( quadrado no meio, dois volantes e dois meias), Henrique Dias (na ponta direita, Hugo ou Gustavo (no meio da área) e Keirrison (na ponta esquerda).
Saudações Alviverdes
Fabrício Alessandro de Freitas é Coxa-Branca de coração.
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Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)